São Paulo, 02 (AE) - Mesmo passados cinco anos da denúncia de abuso sexual feita contra os donos da Escola de Educação Infantil Base - inocentados, com o arquivamento do caso
por falta de provas -, o escândalo provocado em março de 1994 ainda deixa marcas nas vidas de Icushiro Shimada, de 55 anos, sua mulher, Maria Aparecida, de 50 anos, e seus ex-sócios, o casal Paula e Maurício Monteiro de Alvarenga, hoje separados.
"O que fizeram com a gente não dá para esquecer jamais, as feridas não cicatrizam", desabafa Shimada, um dia depois de ter recebido a notícia de que o Tribunal de Justiça condenou, por unanimidade, o governo paulista a pagar indenização fixada em R$ 100 mil por dano moral, a ele, sua mulher e a Alvarenga, com juros e correção retroativos ao início do processo. Posteriormente, será calculado o valor a ser pago pelos danos materiais. "A decisão da Justiça comprova, de uma vez por todas
que nós somos inocentes nessa história toda, que nunca houve nada."
Em 1994, mães de alunos da Base acusaram seus donos de terem molestado sexualmente seus filhos, na época com 4 anos. A escola, no bairro da Aclimação, foi depredada e fechada por causa das denúncias. Em tom amargo, Shimada conta que o dinheiro da indenização servirá para pagar dívidas e tirar seu nome do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). A fotocopiadora da qual é dono atualmente, no centro, segundo ele, passa por dificuldades financeiras.
Sua mulher, Maria Aparecida, continua sob tratamento psiquiátrico e está proibida pelo médico de dar entrevistas. Também está impedida de trabalhar novamente com educação. "Após o caso, ela ficou muito agressiva", conta Shimada, cuja saúde também foi bastante abalada. Nesses cinco anos, Shimada já sofreu dois enfartes.
Medo - O injusto episódio deixou outras marcas negativas. A amizade entre os dois casais que comandavam a escola acabou destruída. "Cada um foi para o seu lado", diz Shimada. Maurício Alvarenga está trabalhando como porteiro num condomínio de casas, no interior de São Paulo, de acordo com seu advogado, Kalil Abdalla, que também atendeu o casal Shimada. Ele disse que Alvarenga o proíbe de dizer o local onde mora e avisa que não quer dar entrevistas. "Ele tem medo que a repercussão do caso atrapalhe seu emprego, o único que ele conseguiu arrumar depois de tudo isso", justifica Abdalla. Sua ex-mulher, Paula, segundo o advogado, continua desempregada, morando em São Paulo, com as duas filhas. Ela não faz parte da ação julgada ontem. "Me parece que ela ainda não entrou com nenhuma ação."

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