Férias são oportunidade para identificar distúrbio
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Leandro QuintanilhaAgência Estado 
Muitos dos ''pestinhas'' que você conhece não são só levados. E muitas das crianças avoadas da sua família podem não ser apenas sonhadoras. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é o distúrbio comportamental mais comum na infância: estima-se que cerca de 5% dos meninos e meninas tenham a doença. E as férias são um período oportuno para que os pais, convivendo mais de perto, identifiquem os sintomas. Ou testem a possibilidade de que crianças já em tratamento possam viver sem a medicação.
O TDAH, muitas vezes confundido com molecagem ou preguiça, é uma doença neurobiológica de base genética que reduz a atividade na parte do cérebro relacionada à atenção, o córtex pré-frontal. Os sintomas: desatenção, inquietude e impulsividade. ''Mas é preciso cuidado para não se banalizar o diagnóstico'', adverte o neuropediatra Paulo Breinis, chefe do setor de Neurologia Infantil do Hospital São Luis e do Hospital Estadual Darcy Vargas. Para se considerar uma pessoa portadora de TDAH, é necessário que ela sofra, desde pequena, de ao menos seis sintomas da doença.
Isso mesmo. A maioria dos pestinhas que você conhece são só levados, assim como a maior parte das crianças avoadas da sua família são apenas sonhadoras. Mas as crianças com TDAH precisam ser diagnosticadas e tratadas para que a doença não arruíne a vida escolar - e a auto-estima. Breinis explica que a criança com o distúrbio pode sofrer isoladamente desatenção ou hiperatividade, mas é mais comum que tenha os dois.
Cerca de 30% dessas crianças acabam repetindo de ano na escola e mais da metade delas necessita de acompanhamento pedagógico adicional. Alessandra foi diagnosticada aos 8 anos. ''Sempre percebi que havia algo errado com ela'', diz a mãe, Suely Figueiró. ''As professoras reclamavam que Alê não parava quieta na carteira e vivia derrubando os objetos.'' A quarta série, teve de repetir. Em casa, Suely notava que nenhum brinquedo entretia a menina por mais de dois minutos. Foi quando a mãe ouviu um psicóloga falar sobre TDAH num programa de rádio. ''Com o tratamento, ela ficou mais tranquila, melhorou na escola e fez até mais amigos.''
TDAH se trata com o estimulante metilfenidato. Estimulante para hiperativos? Parece um paradoxo, mas faz sentido quando se entende como funciona: a substância estimula o funcionamento do córtex pré-frontal, o que ajuda o paciente a controlar seus impulsos e a focar a atenção. O efeito dos comprimidos da versão mais barata - cerca R$ 13 a cartela com 30 - dura quatro horas, em média. As versões de maior duração (até 12 horas) podem chegar a R$ 200. ''Todos funcionam bem, o importante é que o médico ofereça opções para que a família escolha a mais adequada a seu orçamento'', diz Breinis.


