Férias escolares se aproximam sem resolução na pauta dos servidores
Categorias pedem o pagamento da data-base de 4,94%; de acordo com o FES, o déficit nos vencimentos acumula 17% nos últimos 40 meses
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quarta-feira, 10 de julho de 2019
Categorias pedem o pagamento da data-base de 4,94%; de acordo com o FES, o déficit nos vencimentos acumula 17% nos últimos 40 meses
Vitor Struck - Grupo Folha 
A Assembleia Legislativa do Paraná realizou na manhã desta quarta-feira (10) a última sessão ordinária antes do recesso parlamentar debaixo de fortes manifestações de servidores públicos estaduais, em greve há 16 dias. Os manifestantes decidiram desocupar a Casa, onde cerca de 400 haviam acampado, e migraram para o Palácio Iguaçu “em resposta a esta ausência muito evidente do governador Ratinho Junior (PSD) no esforço de encontrar solução para as greves”, disparou Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná).

Em seguida, uma reunião foi realizada no gabinete do presidente da Casa, o deputado Ademar Traiano (PSDB), e contou com a presença de líderes e deputados estaduais da base do governador Ratinho Junior (PSD). Agora um novo projeto de reposição salarial só poderá ser analisado na Alep no dia 5 de agosto, com o retorno dos trabalhos no Legislativo. Anteriormente, Traiano já havia suspendido a tramitação do projeto de lei com a proposta inicial de Ratinho Junior, de 5,09% de reajuste divididos em três etapas até 2022, rechaçada pelos servidores.
Eles pedem o pagamento da data-base de 4,94%, mas, de acordo com o FES (Fórum de Entidades Sindicais), o déficit nos vencimentos já acumula 17% nos últimos 40 meses. Em seguida, técnicos da Secretária Estadual de Fazenda sugeriram outra possibilidade não acatada pelos servidores: antecipar para janeiro o pagamento de 2%.
A ausência de um acordo com as 32 categorias após um início de semana corrido com rodadas de negociações antecede a chegada das férias escolares de mais de 1 milhão de alunos, marcada para terem início nesta segunda-feira (15) e terminarem no dia 29 de julho. “Os deputados é que estão nesta mediação agora. O presidente da Alep se colocou em apoio de estar dialogando junto ao governador do Estado para que se possa ajustar da melhor forma possível dentro dos limites que são colocados estas propostas todas e assim possam ser apreciadas”, afirmou Leão.
Já na avenida Juscelino Kubitschek em Londrina, a sede da APP-Sindicato recebeu cerca de 200 professores e profissionais da educação para uma reunião. De acordo com Rogério Nunes da Silva, secretário de assuntos jurídicos da APP, até esta sexta-feira (12) não haverá nenhuma escola de Londrina “ofertando as cinco aulas em todo o período”. O secretário também lembrou que, em Cambé, todas as oito escolas estaduais também já estão sem aulas.
“Se você pega no entendimento do Núcleo Regional de Educação, você tem dois ou três professores, se tem uma adesão parcial. Mas no nosso entendimento, se a escola não tem condição de atender em segurança os estudantes, com apenas alguns funcionários, a escola está paralisada totalmente”, explicou.
Questionado sobre a reposição dos dias letivos entre 25 de junho e 12 de julho, pelo menos, Silva afirmou que, ao final da greve, quem deve orientar como o calendário escolar é a Secretaria Estadual de Educação e os núcleos regionais. Em todo o Paraná, entre professores efetivos, contratados via PSS (Processo Seletivo Simplificado) e aposentados, são cerca de 110 mil pessoas.
Já de acordo com o presidente do Sindiprol/Aduel (Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e Região), Ronaldo Gaspar, uma manifestação vai ser feita durante a sessão na Câmara de Londrina nesta quinta-feira (11). “Um vereador vai ceder o espaço para se expor os motivos da greve”. Gaspar lembrou que, na pauta de reivindicações dos docentes das sete universidades estaduais do Paraná em greve, também está a contratação de 220 professores já aprovados em concursos, sendo cerca de 80 para a UEL (Universidade Estadual de Londrina). “A maior parte já fez exame médico, todo o trâmite de contratação, só falta a assinatura do governador. Alguns aguardam há mais de três anos”, lamentou.
Na tarde desta quarta-feira (10), o governador Ratinho Junior esteve em Brasília, em reunião no Senado sobre a reforma da Previdência. De acordo com o secretário de Comunicação Social, Hudson José, o que ficou combinado com a retirada da proposta inicial, é que a data-base dos servidores só será analisada na Assembleia no retorno do recesso.


