Brasília, 31 (AE) - O feriado de Corpus Christi, na próxima quinta-feira, deverá tornar-se uma ducha de água fria nas crises políticas que vêm atribulando o governo. Tanto a crise gerada pelos grampos no BNDES, que já vinha perdendo força no Congresso na última semana, quanto a crise entre o PFL e o PSDB, em torno da isenção previdenciária para as Santas Casas, deverá hibernar por uma semana, danto tempo para que os líderes políticos aliados do Presidente busquem os caminhos para trazer a paz à base governista. O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP) deverá se manifestar esta semana com relação ao requerimento do deputado Milton Temer (PT-RJ), que quer uma investigação contra o presidente da República, com objetivo de se chegar ao processo de impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso.
A expectativa é de que o pedido seja arquivado, como já foi outro apresentado no início do mês pelo mesmo deputado. Também não se espera avanço na iniciativa para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a privatização da Telebrás. A movimentação sobre este assunto deverá estar concentrada em manifestações de rua, promovidas pelos partidos de oposição. Os líderes partidários governistas estão desde a semana passada contatando individualmente os parlamentares para que não assinem o requerimento da Oposição para a criação da CPI. Mas se as consequências políticas dos grampos telefônicos no BNDES começam a arrefecer, pode crescer a crise gerada pelas causas que levaram ao grampo. O líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira, defenderá a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os grampos, e quer que uma lei dê imunidade para que os autores do grampo contem que foram seus contratantes. Espera-se para o início da semana uma ação mais firme do Planalto para esclarecer as dúvidas que foram lançadas sobre o chefe do gabinete militar da Presidência, general Alberto Cardoso, considerado suspeito de envolvimento no episódio. Com esta ação, poderá evitar que uma nova crise se avolume.
Comissões - As atividades parlamentares mais importantes no Congresso ocorrerão nas comissões temáticas. As sessões deliberativas na Câmara e no Senado ocorrerão apenas na terça e na quarta-feira, mas a votação mais importante prevista é a do projeto de Lei Complementar que trata do uso das Forças Armadas, no Senado. Na comissão da Reforma do Judiciário, na Câmara, está prevista para hoje reunião do relator da matéria, deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) com os sub-relatores, para discutir seu parecer. O documento deverá ser apresentado ao plenário da Comissão amanhã. No Senado, haverá amanhã reunião conjunta das comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Constituição e Justiça (CCJ) para decidir o destino dos precatórios judiciais emitidos irregularmente. Na CPI dos Bancos
também amanhã, haverá depoimento do procurador da República Celso Antônio Três, lotado em Cascavel (PR) para falar sobre evasão de dívisas por meio de contas CC5 com o uso de testas-de-ferro de investidores.

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