Fenabrave que que incentivo para renovação da frota é insuficiente
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 02 (AE) - O incentivo de R$ 1.800 não será suficiente para estimular o proprietário de carro com mais de 15 anos a trocá-lo por outro no programa de renovação da frota. A previsão é do presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia. Para o representante dos concessionários, o consumidor só se sentiria estimulado a fazer a troca com um bônus próximo de R$ 3 mil. Esta semana o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Clóvis Carvalho, também disse que o governo considera o incentivo insuficiente.
Maia lembra que os carros que ele chama de "velhíssimos" estão cotados hoje no mercado a preços entre R$ 1.200 a R$ 1.400. "Portanto, o valor de R$ 1.800 para este consumidor entregar seu veículo não pode ser considerado incentivo", afirma o presidente da Fenabrave. Na proposta inicial da renovação de frota, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC propunha um bônus equivalente a 30% do valor de um carro popular.
Mas, ao longo das negociações, as partes chegaram a números baseados em valores fixos. Assim, a proposta que vale hoje é um bônus R$ 1.800, dividido da seguinte forma: R$ 600 de montadoras e concessionários, R$ 700 do governo federal em forma de redução de IPI e R$ 500 dos governos estaduais com redução de ICMS.
Gordini - Para Maia, para obter preços baixos, acessíveis ao comprador de baixa renda que vai se desfazer do carro velho, o governo deveria abrir mão totalmente do IPI - ou seja, a alíquota do imposto deveria ser 0,1%, atendendo ao limite mínimo estabelecido na Constituição. "Não se trata de renúncia fiscal porque hoje não vendemos o volume extra que conseguiríamos por meio do programa", destaca.
O presidente da Fenabrave também defende a criação de um consórcio especial para usuários do programa de renovação da frota, com prazos mais longos, de 80 a 100 meses. O dirigente lembra que a alternativa foi utilizada na década de 60 para estimular a venda de carros simples, como DKW, Gordini e Fusca Pé de Boi.
O plano de consórcio mais longo permitiria reduzir as prestações de um carro popular da média atual de R$ 260 para R$ 180. Mas num consórcio, o consumidor que entregou seu carro para a sucata está sujeito a esperar muito tempo para ter outro automóvel.


