Feministas realizam passeatas hoje e na próxima segunda-feira
Curitiba - Coletivos feministas de Curitiba e Região Metropolitana (RMC) programam a realização de dois atos públicos para relembrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres, celebrado amanhã. O primeiro deles está marcado para hoje, a partir das 10 horas, na Praça Santos Andrade, Centro da Capital. Já o segundo será na segunda-feira, no mesmo horário, na Praça da Mulher e do Homem Nus. De lá, as participantes seguirão em marcha até o Centro Cívico, onde estão localizadas as sedes dos poderes Executivo e Judiciário.
De acordo com a "blogueira progressista" Meg Thai, a ideia é conscientizar a sociedade sobre questões como o crescimento no número de crimes com conotação sexista, a necessidade de se implementar uma educação inclusiva e o combate à hiper sexualização da mulher. "Queremos denunciar a violência contra a mulher, que no Paraná é muito forte", afirmou. Ela contou que, na segunda-feira, as manifestantes também pretendem cobrar uma solução para assassinatos como o da menina Rachel Genofre, morta aos nove anos de idade, e o da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14.
Em 2008, o corpo de Rachel foi encontrado dentro de uma mala, na Rodoferroviária de Curitiba, com marcas de agressões e de abuso sexual. Cinco anos depois, Tayná foi morta em Colombo, na RMC, também vítima de violência, no pescoço e na cabeça. Até hoje, nenhum dos crimes foi solucionado. No caso da adolescente, quatro suspeitos chegaram a ser presos. Entretanto, após a revelação de que confessaram sob forte tortura, eles acabaram soltos e incluídos no programa de proteção a testemunhas. Quatro delegados diferentes já estiveram à frente das investigações.
Outro tema que deve ser levantado durante a mobilização é o da baixa representatividade feminina nos órgãos públicos. Na Assembleia Legislativa (AL), por exemplo, dos 54 deputados estaduais, somente quatro são mulheres, o que corresponde a 7,4%. Já na Câmara Federal, entre os 30 membros da bancada parananense, duas são do sexo feminino, um índice de 6,6%.
Para Meg Thai, as poucas mulheres da AL não representam o movimento feminista. "O exemplo mais claro é de que elas votaram contra a educação, uma área formada prioritariamente por mulheres", afirmou, em relação ao apoio de Mara Lima (PSDB), Maria Victoria (PP), Cristina Silvestri (PPS) e Claudia Pereira (PSC), todas da base aliada ao governador Beto Richa (PSDB), à comissão geral, para votar o chamado pacotaço fiscal. No Centro Cívico, os coletivos devem contar com o apoio dos professores grevistas, que seguem acampados em frente à AL e ao Palácio Iguaçu. (M.F.R.)





