Feminismo ainda causa desconfiança
Londrina - Coletivos sociais são movimentos que reúnem pessoas com uma pauta em comum para reivindicar. Segundo a mestranda da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Thayz Athayde, que estuda movimentos sociais, esses grupos podem ter uma estrutura horizontal, que é o acontece de forma geral, ou ainda "podem ter algumas figuras que podem ser consideradas lideranças e que vão movimentar o coletivo." Suas principais características são a autogestão e colaboração.
"Entendo os coletivos com um papel importante dentro da sociedade, visto que irão cobrar, de diferentes formas, uma atenção efetiva para as pautas que reivindicam. Digo que são de diferentes formas porque existem coletivos que agem politicamente de forma mais institucional ou partidária e outros que agem de forma apartidária ou de forma não institucionalizada", diferencia.
Conforme ela, que faz uma pesquisa sobre a relação da Marcha das Vadias e a escola, e que trata dos movimentos feministas e LGBT contemporâneos, no caso dos coletivos feministas, há várias formas de pensar políticas e teorias feministas. "A forma com a qual os coletivos feministas irão tratar os assuntos dependerá da vertente política e/ou teórica que se apoia. Dentro dos feminismos podemos destacar o feminismo interseccional e o transfeminismo", explica.
Segundo Thayz, muitas pessoas ainda veem o feminismo com desconfiança por entender que a mulher já foi muito oprimida, mas que "isso está no passado". "Infelizmente, a palavra feminismo ainda está ligada a algo ruim ou a exagero. As pessoas acham que o feminismo luta para as mulheres terem mais direitos que os homens. Isso não é verdade. A luta feminista, de forma geral, está apoiada em mostrar que muitas mulheres são violentadas fisicamente e psicologicamente, e mortas por serem mulheres."
Dentre as conquistas dos movimentos sociais do Paraná, sobretudo os feministas, Thayz destaca a criação da Secretaria Municipal Extraordinária da Mulher de Curitiba, em 2013. Em Londrina, existe a Secretaria Municipal da Mulher, mas que possui o menor orçamento da administração. Um projeto de lei, ainda, tramita na Câmara para a criação da Secretaria de Direitos Humanos e sua incorporação à da Mulher. "Há muito tempo os coletivos feministas lutam para que essa secretaria seja criada, visto que o Paraná é terceiro Estado que mais mata mulheres no Brasil, segundo Mapa da Violência de 2013. Já em âmbito nacional, talvez uma das maiores conquistas tenha sido a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006. Contudo, a maior luta dos movimentos feministas em relação à lei, nos dias de hoje, é para garantir a eficácia e atendimento humanizado para as mulheres que vão fazer denúncia na Delegacia da Mulher, além de reivindicar que a lei seja exercida em sua totalidade", argumenta a mestranda.(M.T.)





