Feirantes fazem passeata contra transferência da Feira de São Cristovão
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 01 (AE) - Cerca de 1.200 comerciantes da tradicional Feira de São Cristóvão fizeram passeata pelas ruas da zona norte e do centro do Rio contra um projeto da prefeitura que prevê a transferência da feira. Eles carregavam bandeiras dos nove Estados nordestinos - a feira é especializada na cultura dessa região do País - e andaram 2,5 quilômetros até a Câmara dos Vereadores. No local os manifestantes dançaram forró ao som do Hino Nacional e depois assistiram à sessão solene da Câmara comemorativa dos 54 anos da Feira de São Cristóvão .
A polêmica entre a prefeitura e os feirantes começou quando o prefeito Luiz Paulo Conde encomendou um projeto de revitalização de São Cristóvão aos arquitetos Sérgio Bernardes e Rolf Huter, que propuseram a retirada da feira da área em volta do Pavilhão de São Cristóvão. "Se a feira sair dali, morre", garante o feirante paraibano Gerônimo Bonfim, de 63 anos, que há 30 vende redes. "Esse local é uma referência para o povo nordestino".
Os comerciantes rejeitam a proposta da prefeitura de criar um "espaço nordestino" na Avenida Brasil. "Eles querem construir um shopping temático", ironizou o cearense Agamenon de Almeida, presidente da associação dos feirantes. "Não vamos engolir um projeto mirabolante de R$ 170 milhões com objetivo de fazer caixa para a campanha eleitoral do próximo ano", acusou.
O ator Stepan Necersian, que é alagoano e filho de cearenses, acompanhou a passeata. "Conde está na contramão; ele tem de aproveitar a manifestação cultural e não reprimi-la", afirmou.
O prefeito Luiz Paulo Conde divulgou nota, através de sua assessoria, dizendo estranhar que o protesto tenha ocorrido após a prefeitura ter retirado "atividades econômicas do local", referindo-se ao comércio ilegal de peças de carros. Segundo o prefeito, o "espaço nordestino" terá barracas padronizadas, banheiros e estacionamento.


