Feirantes e comerciantes se preparam para enfrentar quarentena
A suspensão de feiras livres e o fechamento do comércio têm início na próxima segunda-feira
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sexta-feira, 20 de março de 2020
A suspensão de feiras livres e o fechamento do comércio têm início na próxima segunda-feira
Viviani Costa - Grupo Folha 
A suspensão da realização de feiras livres e o fechamento do comércio têm início oficialmente na próxima segunda-feira (23). Preocupados com as medidas, consumidores foram às compras e movimentaram a feira livre realizada na manhã desta sexta-feira, na rua Santos, região central de Londrina. “Só saio de casa até a feira, o mercado e a farmácia”, garantiu a cuidadora Anadir Santos.

A movimentação foi intensa por volta das 6 horas da manhã. O horário surpreendeu alguns feirantes. “Geralmente, eles chegam às 7 horas. Não tinha nem colocado os preços ainda”, contou a feirante Sônia Silva.
Ela trabalha no setor há 13 anos e enfrenta a primeira crise. “Vai ser difícil, mas temos que parar. Não quero ninguém doente. A nossa rede de saúde não tem condições de socorrer todo mundo, mas somos brasileiros. Estamos aí para enfrentar. Vamos superar isso”, disse otimista.
Silva se informou e repassou as orientações de prevenção ao coronavírus para toda a família. “Já está todo mundo isolado”, afirmou. Nesta sexta, ela ainda faria a entrega dos últimos produtos antes de começar o próprio isolamento.
A feirante Marcela Ferraz teme prejuízos pessoais e também para o setor. “Há uma preocupação nossa com o setor de alimentos. Não vivemos sem os alimentos. O Brasil é um dos maiores produtores. Se tudo parar, para onde vai toda essa produção? O que será feito?”, questionou.
Em um primeiro momento, ela pretende fortalecer o serviço de entregas cumprindo os protocolos de higienização. “A gente não pode parar”, lembra. No entanto, o serviço de entregas e repasse de alimentos depende ainda da manutenção das atividades na Ceasa (Central de Abastecimento) em Londrina.
A corrida aos supermercados foi intensa mesmo com o aviso de que esses estabelecimentos comerciais permanecerão abertos assim como as farmácias. Em uma loja de produtos médicos e hospitalares, na região central, a fila ao lado de fora no início da manhã indicava a chegada de um novo lote de álcool gel.
Alguns estabelecimentos comerciais não abriram as portas nesta sexta-feira. Outros encerraram as atividades ao meio-dia. Para Carlos Eduardo Chimentão, proprietário de uma lanchonete e restaurante na região central, a saída foi dar férias coletivas aos 12 funcionários. Segundo ele, a movimentação caiu 80% ao longo da semana.
“Para não colocar em risco os meus funcionários, as famílias deles, eu e a minha família, a gente preferiu fechar, mas foi uma decisão difícil. A grande preocupação é meus funcionários irem e virem de Guaravera [zona rural], da zona norte, da zona leste… Essa nossa região aqui tem muitos consultórios e hospitais. O público doente circula por aqui”, explicou. O custo fixo para manter o estabelecimento aberto é de R$ 50 mil por mês. Ele aguarda o anúncio de medidas econômicas pelo Governo Federal para verificar o que será possível ser feito após a quarentena.


