Artesanato, quitutes e uma exposição de fotografias foram as principais atrações da feira realizada ontem pela Associação de Mulheres do Patrimônio Selva, de Londrina. O evento, que ocupou a praça principal da localidade, teve o objetivo de divulgar o trabalho artesanal realizado pelas 40 mulheres que participam da entidade.
Em frente às barracas, foram expostas fotografias tiradas por 19 moradores do patrimônio no projeto ''Fotografia e Memória - História para o Desenvolvimento Comunitário'', patrocinado pela Lei de Incentivo à Cultura e coordenado pela historiadora Maria Fiorato. O objetivo, segundo ela, é resgatar a história local através da vivência proporcionada pelas fotografias.
O artesanato tem uma função especial na vida de algumas mulheres do local. Segundo a coordenadora da Associação, Maria José Teixeira Lopes, 53 anos, ao se reunirem para produzir bordados, peças em crochê ou a partir de fibras da bananeira, elas ''trocam experiências, esquecem os problemas e ainda geram renda''.
O destaque do grupo são as bolsas, cortinas, cadeiras e outras peças produzidas a partir de fibras de bananeira. Bonitas e diferentes, já foram encomendadas para serem distribuídas a participantes de um congresso e decoração de restaurantes. Graças ao sucesso, Maria, que sempre trabalhou na roça, vive há dois anos com a renda gerada pelo artesanato. ''Também dou aulas'', orgulha-se.
O trabalho da Associação de Mulheres trouxe reflexos positivos para a saúde da babá Neide Marçola Domingues, 49 anos, que parou de fumar quando começou a fazer crochê com as outras companheiras. ''Queria tanto terminar as peças que esquecia o cigarro. Minha saúde ficou muito melhor'', contou ela, que aprendeu a fazer crochê ainda menina, com a mãe.
Participante do projeto da historiadora Maria Fiorato, a dona de casa Alice Menegazi Serra aprendeu a fotografar e, a partir das lembranças proporcionadas pelas vivências do grupo, resgatou uma habilidade especial: o bordado. ''Aprendi a bordar com minha mãe, na infância. Naquele tempo, as mocinhas bordavam seus próprios enxovais. Depois, vieram os oito filhos e eu nunca mais bordei'', disse ela, que voltou a realizar trabalhos manuais no ano passado.
Alice também está empolgada com a fotografia, habilidade que adquiriu a partir do trabalho de resgate histórico. ''A primeira foto que tirei já saiu boa'', contou. Com uma câmera automática nas mãos, ela pretendia fotografar a feira de artesanato. ''Vendo as fotos, a gente conversa sobre a vida e lembra coisas de antigamente.''

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