Feira expõe cultura indígena e negra
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domingo, 15 de maio de 2016
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A cultura afro-indígena foi a estrela principal da manhã de sábado no Calçadão de Londrina. Artistas, produtores culturais, artesãos e movimentos sociais reuniram-se na 1ª Feira Afro-Indígena de Londrina, que mostrou danças, comidas, músicas, arte e poesia às pessoas que passaram pelo centro. "Nosso objetivo é dar visibilidade à cultura e à história dos negros e dos índios de Londrina e região", explicou o músico e escritor Aldo Moraes, um dos organizadores do evento e responsável pelo grupo Batuque na Caixa.
A feira reuniu manifestações diversas como culinária típica do candomblé, hip hop, samba, MPB, danças kaingang, fotografia e arte. "A ideia é integrar todo mundo", completou, destacando que a movimentação despertou interesse da população que passou pelo Calçadão.
O vice-cacique Renato Kriki, da Aldeia Água Branca, explicou que os kaingangs mostraram sua cultura, artesanato, pintura corporal e dança, com o objetivo de marcar a resistência do povo indígena. "Nossa dança vai contar uma história triste de preconceito e massacre, mas também nossa resistência. Somos os primeiros brasileiros, mas ainda sofremos muita perseguição. Queremos respeito", reivindica.
Ele ressaltou que índios e negros compartilham uma história de discriminação e sofrimento que vem desde o ano de 1500. Relatou, ainda, que a aldeia hoje tem 4 mil habitantes, o que demonstra que a população indígena está crescendo. "O problema é que as terras estão reduzindo, precisamos ter nosso direitos garantidos para evitar que os índios acabem virando favelados", disse.
Já a ekedji Cláudia Ruzzanti, "secretaria executiva" de casas de axé, participou da feira para divulgar o Candomblé. "Estamos há bastante tempo em um movimento para desmistificar a religião. Temos direito ao culto, a viver nossa religiosidade e ancestralidade", disse. A feira, segundo ela, é uma oportunidade para aproximar a população que não tem informação sobre a cultura das práticas.
Quem passou pelo Calçadão pode experimentar omolocum, uma comida oferecida à divindade Oxum e também acaçá doce, uma massa de farinha de milho com leite de coco presente nos rituais. Além disso, o frango com quiabo, uma comida rotineira nas casas de axé, estava disponível para degustação. "Vamos continuar mostrando as cores, a alegria e o forte vínculo com a natureza que fazem parte do Candomblé."


