São Paulo, 20 (AE) - A indústria fonográfica brasileira aposta em eventos como a CD Expo 99, aberta hoje em São Paulo, para retomar o crescimento do mercado, que ocupa a sexta colocação no ranking mundial. A expectativa é de que a feira, promovida há três anos consecutivos no Rio de Janeiro, movimente R$ 30 milhões em negócios na capital paulista, mercado que responde por 52% das vendas do setor.
A Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) não revela as projeções de crescimento para este ano, mas acredita na recuperação das vendas no segundo semestre. De 97 para 98, o faturamento da indústria fonográfica caiu 14%, passando de US$ 1,227 bilhão para US$ 1,055 bilhão. Houve queda de 10% no consumo, com as vendas caindo de 117 milhões de unidades em 97 para 105, 3 milhões no ano passado.
O presidente da ABPD, Marcelo Castello Branco, atribui a retração do mercado ao aumento da pirataria, que corresponde a 45% do mercado de CDs e a 90% das vendas de fitas cassete. Com cerca de 40 milhões de CDs falsificados comercializados anualmente, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking da pirataria.
Segundo a ABPD, 95% das falsificações atingem artistas brasileiros. No ano passado, o governo deixou de arrecadar R$ 132 milhões com a comercialização de CDs piratas.
Apesar disso, Castello Branco acredita que o combate à pirataria vem demonstrando melhores resultados. "Nós temos sido mais eficientes nos últimos meses", observa.
De janeiro a junho de 99 foram apreendidos mais de 8,7 milhões de CDs falsificados, resultando no indiciamento de 800 pessoas e em 360 ações judiciais. No ano passado, a totalidade das apreensões somou 7,2 milhões de cópias.
Há duas semanas, a entidade colaborou para o fechamento de uma indústria de CDs piratas em Ciudad Del Este, no Paraguai, com capacidade de produzir 12 milhões de unidades/ano.
Campanha - A ABPD aproveitou a CD Expo 99 para anunciar a campanha nacional contra a pirataria. Com o mote "É crime vender, é um crime comprar" e investimentos de R$ 1,5 milhão, a campanha será veiculada em jornais, rádios, revistas e tevês do País entre os dias 3 e 15 de agosto.
O lançamento da ofensiva publicitária foi marcado hoje pela destruição de 100 mil cópias piratas por integrantes do grupo É o Tchan e os cantores Roberta Miranda e Elymar Santos, presentes na feira.
A CD Expo 99 vai até o dia 25 de julho, no Pavilhão Bienal do Parque do Ibirapuera, com participação das principais gravadoras do País - BMG, EMI, Som Livre, Sony, Universal e Warner - e de 180 expositores.
Nas últimas três edições, o evento movimentou US$ 80 milhões em negócios, com a venda de 3 milhões de CDs. Paralelamente à CD Expo 99, será realizada a CD Conf - Conferência Latino-Americana do Mercado Fonográfico, com debates entre representantes do setor.

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