Madri - Um antigo empregado de um supermercado de Madri discriminou 250 solicitantes de emprego devido a sua raça, aspecto físico ou indumentária e escreveu nas solicitações frases como ''cubana e com bigode'', ''não, por cigana e feia'' ou ''Sul-americano; cor escura sem ser preto'', entre muitas outras.
O caso foi divulgado pelos meios de comunicação, depois que uma jornalista de uma rádio de Madri encontrou em uma lata de lixo 250 formulários de solicitação de emprego de mulheres e homens, que tinham respondido a um anúncio publicado na imprensa pelo supermercado, um dos mais luxuosos de Madri.
O diretor da empresa, Javier Sánchez Romero, disse que sua empresa não se considera ''responsável de algo que jamais teria escrito'' e atribuiu os comentários discriminatórios anotados nos currículos à ''maldade de uma única pessoa'', que deixou de trabalhar na empresa há dois meses. Sánchez Romero afirmou que ''essa pessoa se dedicava a fazer a pré-seleção do pessoal, não a seleção''.
O empresário disse que nos últimos anos mais de 80 pessoas estrangeiras trabalharam em sua cadeia e que, atualmente, 18 estrangeiros, poloneses, brasileiros, romenos, marroquinos e de outras nacionalidades, trabalham na empresa.
''Não gosto de seu rosto'', ''Estrangeiro. Dá medo; parece um índio'', ''Não, por incapacitado psíquico. Seus dentes da frente são muito grandes. Não fala direito'', ''Não, por pinta de drogada''. ''Estrangeiro, gordo; parece Pancho Villa, mas faminto''. São algumas das anotações que o ex-empregado utilizou para descartar os solicitantes de emprego que não foram de seu agrado.
A União Geral de Trabalhadores (UGT) exigiu às autoridades uma ''punição rápida e exemplar'' contra o supermercado ao considerar a empresa ''responsável direta do trato humilhante que sofreram os solicitantes de emprego''.
A Agência de Proteção de Dados de Madri anunciou também que iniciará uma investigação, já que junto com as solicitações de emprego foram encontradas listas de pedidos de emprego de prefeituras de Madri e de algumas empresas de trabalho temporário.
O Partido Socialista pediu à cadeia de supermercados que depure as falhas, que peça desculpas aos afetados e que lhes ofereça o posto de trabalho que lhes foi negado.

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