Porto Alegre, 5 (AE) - O presidente da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul), Mauro Knijnik, enviou carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso pedindo-lhe que vete a alteração na Medida Provisória 1.740/32, que permite a prorrogação do Regime Automotivo do Nordeste e a concessão de benefícios fiscais à Ford do Brasil para instalar uma montadora na Bahia.
A correspondência foi remetida hoje e critica a modificação processada através da influência do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), considerando-a "uma medida totalmente casuística". A Federasul reúne 203 associações comerciais no estado e 45 mil empresas do setor.
Classificando a guerra fiscal como "suicídio", Knijnik disse que a aprovação da medida, produzida para beneficiar uma empresa específica, comprometerá o equilíbrio na capacidade dos estados atraírem investimentos. O empresário enviou a carta a FHC tentando "fazê-lo pensar mais um pouco na hora de tomar esta decisão" e evitar "uma injustiça".
"Até prova em contrário", Knijnik reparou que o governo federal "não deve proteger um estado em detrimento de outro". Lembrou que, no momento da rediscussão do contrato do Rio Grande do Sul com a Ford, o presidente "não pôde ajudar" e que, agora, "não parece justo" que ajude outro estado.
No seu entendimento, "cabe a um presidente da República manter o espírito federativo e, até prova em contrário, o Rio Grande do Sul é um dos estados da federação".
Acentuou que a MP "já estava morta" - seu prazo havia sido encerrado em maio de 1997 e acabou sendo prorrogado para dezembro de 1999 - e foi ressuscitada apenas por conveniência. O empresário mostrou-se curioso com "a lógica" da montadora, que inicialmente teria escolhido o Rio Grande do Sul pela proximidade com os países do Mercosul.
Knijnik explicou que, a Ford tivesse optado por Santa Catarina, Paraná ou São Paulo, "sem benefícios federais", seria mais fácil de entender o propósito da empresa.
Indagado se acreditava realmente no veto de FHC à manobra, o que significaria um desafio aberto ao senador do PFL, Knijnik disse ter "grande esperança na formação do presidente".
Na Bahia, além dos benefícios fiscais e da infraestrutura, a Ford receberá empréstimo favorecido de R$ 1,5 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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