Federação quer criar central de polícias
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Das agências Campo Grande e São Paulo 
O presidente da Federação Interestadual dos Sindicatos de Trabalhadores Policiais Civis (Feipol), Mozart Costa Baldez Filho, 38, lançou ontem em Campo Grande (MS) a proposta de criar uma central nacional para unir as polícias Civil, Militar e Federal.
A Feipol, que representa 11 sindicatos de estados das regiões Centro-Oeste e Norte, com cerca de 30 mil policiais, discute a proposta até amanhã, quando deve ser elaborada a Carta de Campo Grande. Mozart Baldez disse que a idéia vinha sendo acalentada há anos, mas agora, com os movimentos grevistas em todo o País, ele acha que chegou a hora de falar uma só voz.
O presidente da Feipol disse que a central não seria ligada a nenhuma das atuais centrais sindicais e não teria conotação política. As reivindicações básicas seriam melhores salários, condições de trabalho e valorização do policial.
Baldez disse que a central nacional exigiria negociações diretamente com o presidente Fernando Henrique Cardoso, já que os estados alegam dificuldades financeiras para atender as reivindicações das categorias. Ele chegou a mencionar a possibilidade de promover uma grande marcha envolvendo dez mil policiais em Brasília.
Para ele, o governo federal é responsável pelo arrocho salarial nos estados, ao impor restrições na política salarial praticada por governadores. A intervenção branca do governo federal nos estados é criminosa.
Em Mato Grosso do Sul, o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) move ação na Justiça Federal tentando anular a cláusula 13ª de um protocolo de empréstimo firmado em janeiro de 96 entre governo Caixa Econômica Federal (CEF) e Tesouro Nacional.
Pelo protocolo, a CEF repassou R$ 52 milhões ao Estado, que se comprometeu a congelar salários do funcionalismo, promover demissões, privatizar a estatal da energia elétrica, evitar empréstimos bancários e antecipações de receita orçamentária, entre outras medidas. FHC engessou o Estado, disse Maurício Godoy, 47, presidente do Sinpol.
Na defesa apresentada na ação judicial, o governo do Estado alegou que as medidas são benéficas para suas finanças.
São Paulo -O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse ontem ser natural a reclamação dos policiais civis e militares por melhores salários. Não há quem não reclame por melhores salários, disse. Mas reafirmou que o governo tem limites orçamentários. O setor público é diferente do privado. Na área privada a mentalidade que prevalecia enquanto a moeda não estava estável era de aumentar o salário, repassar ao produto e o consumidor é quem pagava. Na área pública não dá para fazer o mesmo, porque o contribuinte não está disposto a pagar mais impostos. Não podemos ir além de certos limites, declarou.
Com o aumento dado à polícia em São Paulo, o governo vai gastar R$ 3,330 bilhões com o salário dos policiais. Esse valor é maior que a receita tributária líquida de todos os estados brasileiros, menos três: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, disse Covas. Ao se referir à insatisfação dos oficiais, o governador lembrou que os 47 coronéis da Polícia Militar no Estado recebem em torno de R$ 11 mil, e um tenente-coronel, R$ 8,5 mil, em média. Segundo ele, o maior salário da polícia em Nova York corresponde a R$ 8 mil. No passado, o Quércia (o ex-governador Orestes Quércia), principalmente, aumentou muito o salário dos oficiais de tal maneira que passamos a ter a relação entre o menor e o maior salário de um para dez, em termos nominais, afirmou Covas.
Uma comissão do governo do Estado, formada por dois oficiais da Polícia Militar, dois da Polícia Civil, um procurador do Estado, um membro da Prodesp e um da Secretaria de Governo e Gestão Estratégica, permaneceram duas semanas em Nova York avaliando as condições da polícia. Hoje está na moda falar nos policiais de Nova York. Lá, um policial entra na corporação ganhando US$ 1,8 mil por mês, mas ele precisa ter o segundo ano da universidade e permanece 12 meses com esse salário, declarou Covas.


