Goiânia, 30 (AE) - O presidente da Federação de Agricultura de Goiás, João Bosco Umbelino, fez há pouco duras críticas à política agrícola brasileira, durante a abertura do 9º Seminário de Pecuária Leiteira do Estado, realizada no Centro de Convenções de Goiás. Diante de 2.500 produtores, e na presença do ministro Francisco Turra, do governador Marconi Perilo, e deputados federais, Umbelino questionou sobre até quando o governo federal vai desprezar os que alimentam as cidades.
Ele citou o economista Fernando Homem de Melo, que disse que a transferência de renda do campo para a cidade, durante o Plano Real, foi de R$ 25 bilhões. "Esse foi o preço que a âncora verde da agricultura pagou para sustentar o plano econômico", afirmou sob aplausos. O presidente da Federação de Agricultura de Goiás, João Bosco Umbelino, destacou em seu discurso no 9º Seminário de Pecuária Leiteira os prejuízos do setor. Segundo ele , enquanto a inflação foi de 75% durante o Plano Real, o preço do leite, no período, teve aumento zero. João Umbelino ressaltou que o nível de endividamento está inviabilizando o setor agropecuário. Destacou também que rentabilidade do produtor rural, não dá para atender as necessidades básicas, e as fazendas estão sendo sucateadas, com o produtor impossibilitado de reverter a situação.
Sob aplausos João Umbelino criticou os bancos, especialmente o Banco do Brasil, afirmando que eles estão desprezando o produtor rural, porque as contas não são mais atrativas. Falou também da elevação dos custos dos insumos para a atividade agropecuária, "que trazem um horizonte nebuloso para a safra 99/2000". Segundo o presidente da Federação de Agricultura de Goiás, o produtor rural não quer proteção, mas uma defesa contra a importação desleal e predatória subsidiada. "Produtor não está competindo com o produtor dos Estados Unidos ou da Europa, mas com o Tesouro desses paises", destacou.
Insumos - Ao ressaltar o elevado custo dos insumos, o presidente da Federação de Agricultura de Goiás, lembrou que qualquer insumo ou defensivo custa menos em outros países do que no Brasil e que a diferença chega até a 30%, como é o caso da Argentina. Umbelino afirmou ao ministro da Agricultura que da forma como está a situação, não há condições de o produtor brasileiro competir. Ele lamentou também os aumentos abusivos de preços da vacina anti-aftosa, denunciando que estão tentando praticar reajustes superiores a 100%, em relação ao ano passado.
Segundo João Umbelino, os produtores goianos estão recebendo R$ 0,22 por litro de leite. "O menor preço do mundo, quando o custo de produção está em torno de 0,32", afirmou Umbelino, baseado em pesquisa da Universidade Federal de Goiânia
Federação de Agricultura de Goiás e Sebrae. "Para cada litro de leite que o produtor goiano produz ele tem um prejuízo de R$ 0,10", acrescentou.
Três produtores de leite do Estado tiveram a oportunidade de dar depoimentos, para lamentar a situação do setor. Os três afirmaram que estão sem condições de sobreviver nessa atividade. O ministro da Agricultura, Francisco Turra, reconheceu que seria cômodo jogar para a platéia o anúncio de medidas contra a importação desleal. Mas lembrou que o País vive uma economia globalizada e que tudo tem que ser feito com base nas normas legais. O governador de Goiás, Marconi Perilo, anunciou que seu governo pretende comprar somente o leite produzido no Estado para oferecer na merenda escolar. "Se alguém nos criticar de protecionismo, dane-se. Estou preocupado com o nosso estado", declarou. Ele ressaltou que 60% do PIB de Goiás vem da agricu ltura e da pecuária e que por isso, esses setores estão sendo tratados com prioridade pelo seu governo.

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