É possível quinze apostadores da mesma região do País acertarem o prêmio da Mega-Sena? O fato questionado pelo senador Álvaro Dias (PSDB), que encaminhou ao Ministério da Fazenda um requerimento solicitando explicações, é visto com naturalidade pelo presidente da Federação Nacional dos Lotéricos, Aldemar Mascarenhas. ''Loteria é uma questão de sorte, trabalhamos dentro de um segmento sério. Quinze acertadores causa surpresa, mas a probabilidade é igual a qualquer outra'', afirma.
O concurso que vem sendo questionado é o de número 529 da Mega-Sena, sorteado no dia 14 de janeiro, quando saíram os números 01, 13, 33, 38, 45 e 56. O sorteio foi realizado pelo caminhão da sorte da Caixa em Rio das Ostras (RJ). As apostas vencedoras são de Pernambuco (5), Paraíba (3), Piauí (2), Rio Grande do Norte (2), Ceará (2) e Bahia (1).
''As avaliações matemáticas da possibilidade de ocorrência de quinze acertadores num concurso da Mega-Sena indicam uma probabilidade teórica desprezível, ou seja, inferior a 0,01%, o que significaria sua ocorrência em um concurso a cada quatrocentos anos'', afirma o senador.
A Mega-Sena existe há oito anos e o fato do prêmio ser dividido por 15 acertadores, cerca de R$ 348, 7 mil para cada um, é inédito. Nesse período, segundo o senador, apenas uma vez cinco apostadores acertaram os números em um mesmo jogo. Em duas ocasiões, houve quatro acertadores, e nos demais casos foram três ou menos acertadores. São comuns os concursos sem vencedor, cerca de 78% dos casos.
O senador também chamou a atenção para o fato das apostas terem acontecido em localidades onde o horário de verão não está vigorando e levantou a hipótese de que, por uma eventual falha de controle operacional, apostas pudessem ser efetivadas após o fechamento nacional ou até mesmo após o sorteio dos números.
Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa da Caixa informou que o sistema utiliza o horário oficial de Brasília e as apostas são encerradas em todo o Brasil, independente de qualquer fuso horário. A assessoria afirmou ser inédito o número de acertadores (15), descartou qualquer erro na apuração e disse que o número de ganhadores depende do acaso e que todos os concursos, além de passarem por auditorias de rotina, são realizados na presença do público. Informou ainda que ''os concursos, assim como o processo de arrecadação, apuração e rateio, estão permanentemente abertos à fiscalização''.

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