Fed tem reservas a plano de dolarização da Argentina
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Paulo Sotero 
Washington, 23 (AE) - O governo dos Estados Unidos está dividido sobre os méritos da proposta Argentina de dolarizar sua economia, informou hoje o presidente do Federal Reserve Board, Alan Greenspan, em seu depoimento semestral ao Congresso sobre as perspectivas da economia dos EUA. Segundo ele, o Tesouro e o Fed deverão chegar "em pouco tempo" a "uma posição unificada"sobre o tema. Mas Greenspan indicou que não há entusiasmo pela idéia no banco central norteamericano.
"Temos que tomar o cuidado de lembrar que a nossa política monetária é em primeiro lugar e sempre (voltada) para os Estados Unidos", afirmou Greenspan. "Não podemos ser o banco central dos Estados Unidos e de outros; nesse contexto, temos que tomar o cuidado de não sermos percebidos como estando criando uma rede de salvação para instituiçõe nas economias dolarizadas".
O presidente do Fed deixou claro que, se o governo de Buenos Aires quiser adotar o dólar como moeda nacional, não há muito que os EUA possam fazer contra. "Não há nada que impeça e não vemos nenhuma razão que iniba a dolarização unilateral de uma economia, como fizeram o Panamá e a Libéria ... e, suspeito, muito outros (países) estão pensando ( em fazer)."
Mas os interessados não devem contar com a cooperação dos EUA, se isso significar expectativa de que o Fed atue como emprestador de última instância para os bancos dos países dolarizados, durante as crises financeiras. "Estamos conscientes mas não totalmente convencidos de que ter grandes áreas globais com uma moeda única seja um elemento em favor da estabilidade, como o euro", disse o presidente do Fed.
"É provavelmente correto que, todo o resto permanecendo igual, um mercado ampliado para o dólar claramente teria efeitos estabilizadores e isso seria positivo não apenas para aqueles que empregam o dólar como sua moeda." Mas Greenspan logo acrescentou que haveria riscos para "aqueles que transacionam com ele (o dólar)" nos "vínculos que criam algumas tensões dentro das áreas do dólar e do euro".
"Não creio que haja ainda uma unanimidade no governo americano sobre como nossas visões deveriam ser consolidadas num visão central" sobre o tema, explicou. "Estamos tendo discussões em curso, se não por outras razões, porque fomos procurados pela Argentina para ver se existe uma relação mais formal que podemos criar."
A iniciativa de Buenos Aires desencadeou um amplo debate sobre o assunto nos meios oficiais, acadêmicos e no mercado. Três semanas atrás, falando sobre o mesmo tempo, o economista William Cline, o diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais, que representa as grandes corporações financeiras globais, antecipou as reservas do Fed à proposta da Argentina. Ele disse que os países interessados em dolarizar suas economias "não devem ter a expectativa de ter um assento na diretoria do Fed".


