Fed não mexe nos juros mas sinaliza aperto futuro se inflação levantar a cabeça
Washington, 18 (AE) - O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, manteve inalterada nesta terça-feira (18) as taxas de juros mas abandonou a posição neutra em relação à política monetária, que adotara em novembro do ano passado, sinalizando sua disposição de aumentar os juros para conter eventuais pressões inflacionárias. A taxa dos fundos do Fed e a taxa de redesconto continuaram em 4,75% e 4,5%, respectivamente.
"Embora a Comissão federal do Mercado Aberto (FOMC) não tenha agido para alterar a política monetária, a Comissão preocupou-se com o potencial de crescimento de desequilíbrios inflacionários que podem minar o desempenho favorável da economia", informou o Fed num comunicado, referindo-se ao foro de 12 dirigentes do BC americano que traça o rumo da política monetária em oito reuniões anuais.
Usando a linguagem cuidadosa que é característica de seus pronunciamentos públicos, o Fed acrescentou que a comissão "adotou uma diretriz inclinada na direção da possibilidade de maior firmeza na posição da política monetária".
"Tendo como pano de fundo um mercado de trabalho doméstico já apertado e um crescimento da demanda em excesso aos ganhos de produtividade, a Comissão reconhece a necessidade a estar alerta para desdobramentos nos próximos meses que possam indicar que as condições financeiras não são mais consistentes com a contenção da inflação", informou o BC norte-americano.
A nova ênfase do Fed. na possibilidade de um endurecimento da política monetária foi provocada pelas estatísticas que o departamento do trabalho divulgou na sexta-feira passada, indicaram que o Índice de Preços ao Consumidor, a principal medida da inflação nos EUA, subiu 7% em abril, seu maior salto mensal em nove anos. Paralelamente, o departamento de Comércio divulgou números sobre a produção industrial que aumentaram o temor de superaquecimento da economia, que já está em seu oitavo ano consecutivo de expansão, um recorde em tempo de paz.
Para Kathryn Kobe, economista da Joel Popkin & Co., a mudança do rumo da política monetária "significa que o Fed. tornou-se mais vigilante em relação à inflação, como foi antes da crise financeira global do ano passado". Com a crise financeira dissipada, o BC norte-americano "está focalizando mais a economia doméstica", disse ela.
Esta foi a primeira vez nos 86 anos de sua história que o Fed indicou o rumo dos juros imediatamente após a reunião da FOMC. Até agora, o BC americano tornava pública as decisões de balizamento da política monetária somente seis semanas depois de cada reunião. A mudança reflete uma preocupação do Fed em praticar em casa a mesma política de abertura e transparência que os EUA tem recomendado a outros países, por intermédio do Fundo Monetário Internacional.
Embora a decisão do Fed tenha apenas confirmado as expectativas, ela precipitou uma brusca queda momentânea das ações em Wall Street. Vinte minutos depois do anúncio, um ganho acima de 60 pontos no Índice Dow Jones já se transformara numa perda de mais de cem ponto. Mas o mercado recuperou-se no final do pregão e fechou em 10.836,95, com uma perda de 16,52 pontos.
Outros grandes indicadores do mercado de ações também reconquistaram a maior parte do terreno perdido. E os papéis mais longos do Tesouro não sofreram mudança significativa. "O mercado de bônus já havia antecipado a sinalização do aumento dos juros, de modo que este é um não evento", disse Steven Goldman, estrategista de marketing da Weeden & Co. A reação do mercado foi estimulada, também, pela divulgação de bons resultados no primeiro trimestre de empresas de porte como a Hewlett-Packard, a Dell Computer, J.C. Penney e Home Depot.





