Foz do Iguaçu, 24 (AE) - O isolamento das fronteiras do Paraguai causou revolta entre brasileiros e paraguaios nas regiões de Foz do iguaçu e Guaíra, ambas cidades no Paraná. Pelo menos 1.500 brasileiros, a maioria sacoleiros que foram às compras em Ciudad del Este, permanecem retidos desde ontem (23). Cinquenta paraguaios, entre eles mulheres e crianças, não puderam voltar ao país e buscaram abrigo no Consulado em Foz do Iguaçu. Ninguém pode cruzar a fronteira.
Parte dos brasileiros aguarda o fim do bloqueio em permanente vigília nas proximidades da ponte internacional da Amizade, única ligação terrestre entre Foz e Ciudad del Este. Policiais armados com fuzis e metralhadoras estão espalhados por toda a região em Salto del Guaíra, cerca de 600 caminhões carregados com soja e madeira estão sendo impedidos de passar pela Ponte Airton Senna, com destino a Guaíra.
Essas duas faixas de fronteira são as mais movimentadas entre os dois países e estão sob forte vigília desde o assassinato do vice-presidente paraguaio, Luis María Argaña. O rígido controle policial na entrada e saída das duas pontes causou um clima de tensão e instabilidade em Ciudad del Este, mas não houve registro de incidentes graves.
O tumulto foi maior logo nas primeiras horas seguintes ao bloqueio das fronteiras. Cerca de 2.000 sacoleiros e outros 8.000 brasileiros que trabalham no comércio de Ciudad del Este ficaram temporariamente retidos ontem. Parte deles só pode retornar ao Brasil no curto intervalo de duas horas em que a Ponte da Amizade foi reaberta. Depois houve nova interdição e ninguém podia entrar nem sair do Paraguai.
Aproximadamente 1.500 pessoas ainda permenecem retidas no país.
Alguns brasileiros tentaram burlar o controle policial e recorreram ao uso de pequenas embarcações para cruzar o Rio Paraná e fugir em direção a Foz do Iguaçu. A travessia foi impedida pela Marinha paraguaia, que vem recebendo apoio da polícia Federal brasileira.
Muitos sacoleiros que estavam viajando para fazer compras no Paraguai foram pegos de surpresa com a interdição da fronteira e aguardam no lado brasileiro a reabertura. Um grupo de torcedores corintianos aguardava a liberação da Ponte da Amizade para seguir viagem a Assunção para assistir ao jogo, hoje (24) à noite, entre Corinthians e Cerro Porteño pela Copa Libertadores da América.
O comércio de Ciudad del Este, que já havia registrado queda de mais de 80% desde a desvalorização do real frente ao dólar, está há mais de 24 horas com as portas fechadas. De acordo com avaliação do centro de Importadores e Comerciantes do Departamento (Estado) de Alto Paraná (Cicap), o comércio deixou de vender pelo menos US$ 5 milhões desde o bloqueio da fronteira. Até o guarani (moeda paraguaia) se desvalorizou, em média 7% em relação ao dólar depois do assassinato do vice-presidente paraguaio.

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