Febre maculosa pode ter causado morte de aposentado no interior de SP
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 05 (AE) - O Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, deverá divulgar nos próximos dias o resultado dos exames sobre a causa da morte do metalúrgico aposentado Waldemar Ayres, de 64 anos, ocorrida ontem (04). Há suspeitas de que o aposentado tenha sido vítima de febre maculosa. A hipótese foi levantada pelos médicos que atenderam Ayres no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A suspeita colocou em alerta a Vigilância Epidemiólogica da DIR-12 e a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen). Caso o resultado seja positivo, será a primeira morte causada pela doença na região este ano.
Ayres, que morava em Valinhos (SP), começou a apresentar sintomas de febre na quarta-feira passada, após passar o final de semana na chácara de amigos no município de Jaguariúna. Foi levado para o Hospital Municipal de Valinhos, mas como seu estado era grave, os médicos decidiram transferí-lo para o HC da Unicamp. Na madrugada de ontem, o metalúrgico morreu. Apesar de a causa da morte ainda estar sendo investigada, os médicos dizem que o quadro clínico do paciente indicava tratar-se de febre maculosa. Além do quadro clínico, a histórico de Ayres reforça a suspeita sobre a causa da morte.
A doença é causada pela bactéria Rickttesia ricktessi transmitida ao homem principalmente pelo carrapato-estrela. A bactéria é encontrada em vários animais que atuam como hospedeiros, entre eles cães, cavalos, bois e capivaras. Ao sugar o sangue do animal, o carrapato adquire o microorganismo e pode transmiti-lo ao homem. Familiares de Ayres informaram que a chácara visitada pelo metalúrgico fica às margens do Rio Camanducaia, onde existem vários animais silvestres, entre eles a capivara, considerada hospedeiro natural do carrapato. Durante o passeio, Ayres teria sido picado por um carrapato. Exames - O infectologista Marcelo Ramos disse que a doença progrediu rapidamente, levando a um quadro de infecção generalizada. O HC da Unicamp realizou necrópsias e colheu sangue do paciente para ser analisado pelo Instituto Adolfo Lutz. "O resultado deverá sair dentro de 15 dias", disse o médico. No ano passado, uma pessoa morreu em Campinas depois de contrair febre maculosa. Em São João da Boa Vista foram registradas outras cinco mortes. As regiões de Jaguariúna, Pedreira e Amparo, no Circuito das águas, é considerada endêmica devido à elevada concentração de carrapato-estrela.
Os sintomas da doença são febre constante, dores e manchas avermelhadas pelo corpo, que podem ser confundidos com outras moléstias. A febre maculosa é fácil de ser tratada se for descoberta logo no início. Por esse motivo, as autoridades ligadas a érea de saúde estão orientando os médicos sobre a doença, que se não for diagnosticada a tempo pode matar em cinco dias.
Até o início da década de 80, este tipo de doença era considerada rara na região e atingia, principalmente, a população ribeirinha. Nos últimos quatro anos a doença se expandiu. O caso que chamou mais atenção ocorreu em 1997. A engenheira agrônoma Beatriz Cintra, de 27 anos, filha do ex-prefeito de Amparo, João Batista Cintra contraiu a doença e faleceu cinco dias depois.
"A nossa maior preocupação é que a área de contágio está aumentando e não temos como controlar a proliferação do carrapato, que transmite a doença" disse a diretora da Sucen, Renata Caporalle Mayo. (Colaborou Milton Bridi, especial para a AE)


