Febre ativa as defesas do organismo
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domingo, 28 de agosto de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A situação é comum - é só o termômetro apontar mais de 37,5 graus na criança, que começa a preocupação de pais e mães. E a luta para baixar a febre.
Mas, o que é a febre além de um alerta de que algo não vai bem? A maioria das pessoas não sabe - ela é um dos melhores mecanismos de defesa do organismo. E nisso está a chave para evitar o uso indiscriminado de antitérmicos e analgésicos em crianças.
O pediatra e homeopata Maurilio de Oliveira, de Londrina, explica que a elevação de temperatura, causada pela febre, ativa no organismo os mecanismos que vão combater vírus ou bactérias. Por isso ela não é exatamente um problema.
O que pais e mães devem se perguntar - ensina - é porque o organismo precisou usar da febre para se defender. E a resposta, na maioria das vezes, é uma infecção, causada por vírus (cerca de 90% dos casos) ou bactérias (10%).
No caso das doenças agudas febris, explica o pediatra, cerca de 80% são auto-limitadas, ou seja, têm um ciclo com começo e fim, e se curam sozinhas. Daí que quanto mais remédio se usa para combater a febre, mais dias o vírus vai ficar no organismo. ''De dois a três dias a mais'', ressalta Oliveira. Isso porque a febre não teve como agir contra o vírus.
Da mesma maneira não é necessário ficar apavorado com tosse, coriza e diarréia, que não são doença, mas mecanismos do corpo para expulsar o agente agressor. ''Não é preciso a todo custo tentar acabar com a diarréia, o vírus precisa sair. É necessário, sim, repor o líquido perdido, para a criança não ficar desidratada'', explica.
Mas há casos e casos. O que o pediatra enfatiza é que só a febre não é fator determinante para a gravidade ou não de uma doença. É preciso ter atenção para o quadro geral da criança, o que os médicos chamam de ''resposta global inespecífica'': se ela está abatida, deixando de comer, e com prostração importante. E o principal: com piora progressiva. ''Aí é preciso se preocupar, porque os mecanismos de defesa não estão dando conta'', afirma.
Se o caso é de uma criança que está resfriada, mas continua brincando e com interesse nas atividades cotidianas, não é necessário medicar assim que a febre aparece, e continuar com medicação a cada quatro ou seis horas, sem prescrição médica. ''Se a mãe não deixa a criança ter febre nunca, o organismo dela não se defende como deveria. Observar a criança é fundamental'', avalia.
Em alguns casos de febre, explica o médico, a medicação é ministrada para tratar o incômodo e abrandar o sofrimento da criança, que fica ''molinha'', abatida. E mesmo isso, ressalta Oliveira, tem explicação: ''O corpo precisa economizar energia''.
Para o médico, é fundamental que os pais saibam o que é a febre e qual sua finalidade e se conscientizar de que medicamentos não devem ser utilizados de forma aleatória. ''O remédio existe e tem que existir. O que a gente combate é o excesso. Por isso, bom senso e individualização no atendimento médico são palavras-chaves'', afirma.


