Brasília, 12 (AE) - O estudante Allison Neres, 19 anos, morreu de febre amarela silvestre, confirmou hoje o Instituto Adolfo Lutz . O exame de sangue deu negativo, mas a análise do fragmento do fígado comprovou as suspeitas. A irmã de Allison, Andreya, de 20 anos também está com doença, apesar do resultado negativo do exame de sangue.
"O diagnóstico é clínico", informa o secretário de saúde do Distrito Federal Jofran Frejat, lembrando que a moça apresenta sintomas semelhantes aos do irmão e que os dois teriam contraído a doença durante a viagem a Alto Paraíso (GO), a 250 quilômetros de Brasília. Foi durante o passeio que começaram a surgir a febre e vômitos escuros, entre outros sintomas.
Apenas com a notícia da suspeita da febre amarela, nos últimos dias mais de 60 mil pessoas aos postos de saúde para tomar a vacina contra a doença. O secretário diz temer que com a confirmação do caso se intensifique a procura aos postos. "Não tem razão para sair correndo", tranquiliza o secretário, informando que o período de risco de transmissão dura seis dias depois que a pessoa é picada pelo mosquito contaminado. Quando o rapaz chegou a Brasília fazia cinco dias que ele passava mal e logo morreu. A irmã estava internada no hospital até hoje.
"É extremamente improvável que dois pacientes depositários do vírus causem uma epidemia na cidade", comenta o secretário, dizendo que a família dos jovens que conviveu com eles no auge da infecção e não houve outras contaminações. A febre amarela urbana não existe no País desde 1942. O mosquito aedes egypti, transmissor da dengue, era o responsável pela transmissão da doença nas cidades. Ele picava um doente e passava para outra pessoa. "Mas é preciso reavaliar essa situação, porque o aedes vem provocando dengue mas nenhum caso de febre amarela", afirma o secretário. No caso da febre amarela silvestre, a infecção é provocada pelo mosquito hemagogos que se contamina ao picar macacos.
O secretário informou que os dois irmãos são os únicos casos de febre amarela no DF. Os outros três casos suspeitos não se confirmaram. Um estava com leptospirose, outro com infecção urinária e o terceiro paciente com obstrução da vesícula. Os três vieram de Goiás, ao contrário dos irmãos que eram residentes de Brasília. Frejat contou ainda que no ano passado dois índios com febre amarela também foram trazidos para Brasília para tratamento.