"A minha vacina já tinha vencido e resolvi tomar a segunda dose. Nunca se sabe quando é preciso viajar", comentou Isabella Niehues
"A minha vacina já tinha vencido e resolvi tomar a segunda dose. Nunca se sabe quando é preciso viajar", comentou Isabella Niehues | Foto: Anderson Coelho



Com o aumento do número de mortes por febre amarela no País, a preocupação dos londrinenses e a procura pela vacina cresceram nos postos de saúde do município. A unidade básica de saúde (UBS) do Jardim Guanabara, na zona sul, registra uma média de 100 imunizações por dia desde que as informações sobre a incidência da doença em Minas Gerais começaram a circular. A Secretaria Municipal de Saúde não tem dados precisos sobre o aumento da demanda pela vacina no município, mas informou que a procura aumentou em todos os postos.
A coordenadora de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Fernandes, informou que, em Londrina, a vacinação pode ser feita em qualquer UBS do município. Ela garantiu que o estoque está em dia e que não há previsão de falta de vacinas. No entanto, frisou que não há motivos para uma corrida aos postos. "Quem deve prioritariamente se imunizar são as pessoas com viagens programadas para regiões com surtos registrados ou áreas silvestres, rurais ou de mata", detalhou.
Nesta quinta-feira (26), o Ministério da Saúde atualizou os dados da doença. Além de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia, Mato Grosso do Sul e Goiás estão na lista de Estados com pacientes com sintomas da infecção. Até o momento, foram confirmados 72 casos de febre amarela, incluindo 40 mortes. Tanto Goiás quanto Mato Grosso do Sul requisitaram doses extras da vacina. Foram enviadas 30 mil doses para Goiás e 25 mil para o Mato Grosso do Sul. O número de casos suspeitos da doença cresceu 25% em dois dias. No momento, laboratórios públicos investigam amostras coletadas de 455 pacientes. Na segunda-feira (23), eram 364.
A auxiliar administrativo Isabella Niehues, moradora da zona sul, procurou a UBS do Jardim Guanabara na tarde desta quinta para se imunizar. Ela acabou de voltar de uma viagem de férias ao Uruguai, destino considerado fora de área de risco. Com as notícias de surto no Brasil, resolveu colocar a vacinação em dia. "A minha vacina já tinha vencido e resolvi tomar a segunda dose. Nunca se sabe quando é preciso viajar para algum destes destinos afetados", comentou. Sônia alertou que a imunização deve ser feita no mínimo 15 dias antes da viagem, no caso de primeira vacinação.
A coordenadora informou ainda que o Programa Nacional de Vacinação não recomenda a vacina para pessoas com doenças como lúpus, câncer e HIV, devido à baixa imunidade; para grávidas; pessoas alérgicas à gelatina e ovo; e para aquelas que têm mais de 60 anos, com doença crônica instável. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Paraná não registrou nenhum caso da doença até o momento e todos os 399 municípios têm doses disponíveis para a população.
A Sesa frisou também que quem já tomou duas vacinas contra a febre amarela, ao longo da vida, não precisa mais ser imunizado contra a doença. O esquema para crianças é uma dose aos 9 meses de vida e um reforço aos 4 anos de idade. Para quem nunca tomou e já está na fase adulta, é necessária apenas uma dose e, após 10 anos, o reforço.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, os sintomas iniciais incluem febre de início súbito, dor de cabeça, nas costas e no corpo em geral, calafrios, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Nos casos mais graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. A febre amarela pode levar à morte em cerca de uma semana, caso não seja tratada de forma rápida.
O coordenador do departamento de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, afirmou que o que mais chama a atenção do surto deste ano é a velocidade da expansão dos casos. Não há ainda uma explicação definida para esse aumento tão expressivo. Os primeiros registros começaram a ser feitos em Minas, no início do mês.

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