Febre amarela pode ter "desviado atenção" da vacinação contra gripe
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sábado, 20 de maio de 2017
Alana Gandra Agência Brasil 
Rio de Janeiro - A campanha nacional de vacinação contra a gripe do Ministério da Saúde se encerra no dia 26 de maio, mas a adesão é considerada baixa em todo o País. Do total de 54,2 milhões de pessoas esperadas, somente 28,7 milhões foram vacinadas, o que representa 53% do público-alvo.
A virologista Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), avalia que o pouco destaque que o vírus influenza teve na mídia este ano e o recente surto de febre amarela contribuíram para desviar o foco da atenção das pessoas da campanha contra a gripe. Isso porque, em estados com registros de morte pela doença, como o RJ, a população se preocupou mais em correr aos postos para receber a imunização contra a febre amarela. A vacina contra a gripe está disponível nos postos de vacinação desde 17 de abril.
"Mas isso não tira de maneira nenhuma a importância de tomar a vacina contra a gripe", adverte Marilda. A virologista explica que é importante tomar a dose anualmente uma vez que a vacina contra o vírus influenza, causador da gripe, não oferece uma imunidade duradoura. Outro fator importante é que o vírus pode apresentar mutações de um ano para outro em seu genoma e as vacinas são "atualizadas" para garantir uma proteção mais ampla à população. "Então, tem que tomar este ano, de novo", diz.
MORTES
A proximidade do início do inverno, em 21 de junho, reforça a necessidade de ampliar a imunização. "O vírus influenza já está circulando em várias regiões e as pessoas têm que ficar atentas para se protegerem", insiste a virologista. Ela lembra que em 2016 mais de 2 mil pessoas morreram por influenza no Brasil. Grande parte dos óbitos foi de pessoas elegíveis para tomar a vacina, ou seja, maiores de 60 anos de idade, crianças menores de 4 anos e pessoas com problemas de imunodeficiência, respiratórios ou cardíacos crônicos, além de diabéticos.
Neste ano, além dos profissionais de saúde, a campanha de vacinação incluiu o grupo dos professores para tomar a vacina. "Porque nós sabemos que, em qualquer país do mundo, os grandes distribuidores que espalham o vírus influenza, no primeiro momento, são crianças em idade escolar. Como estão em ambientes fechados, elas contribuem muito para o espalhamento do vírus porque uma passa para a outra, para a professora, para a casa, para os pais. Elas contribuem muito no primeiro momento, assim que se inicia uma pandemia", explica Marilda.
MITOS
Marilda Siqueira descarta a possibilidade de uma pessoa tomar a vacina e ficar gripada. A fórmula da vacina, esclareceu, é o vírus inativado, isto é, morto. Além disso, as proteínas do vírus são separadas. "Não tem como ele se multiplicar dentro da gente".


