Febre amarela matou 17 pessoas no Pará em dois anos
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 19 (AE) - Nos últimos dois anos foram registrados 59 casos de febre amarela silvestre no interior do Pará, com 17 mortos. Em 99, foram 36 ocorrências, com nove mortos. Em 98, 23 casos e oito mortos, segundo a Secretaria Executiva de Saúde do Estado do Pará (Sespa).
A coordenadora do Núcleo de Epidemiologia da Secretaria, Waltair Pereira, não descarta a possibilidade de um surto de febre amarela na zona rural. O que também pode ocorrer na área urbana, mas ela acha que seria em proporção bem menor "se algum doente da zona rural vier para a cidade sem receber cuidados necessários e for picado pelo mosquito Aaedes aegypti".
Waltair atribui o aumento de casos da doença no Estado ao fato de as pessoas entrarem na mata sem tomar a vacina, principalmente no período do ciclo silvestre do mosquito, que vai de janeiro a abril em todos os Estados da Amazônia, na pré-Amazônia maranhense, além da região centro-oeste do País. Nesse período acontecem as grandes chuvas e os agricultores intensificam o plantio.
No ano passado o Pará recebeu do Ministério da Saúde 1,5 milhão de doses de vacina contra a doença, mas vacinou 1,2 milhão de pessoas. A previsão da Secretaria é vacinar neste ano 1,5 milhão. Hoje, cerca de 70 mil doses estão disponíveis nas unidades de atendimento. "É um número aparentemente pequeno, mas atende nossa demanda".
Em Marabá, no sul do Estado, a Secretaria intensificou a vacinação das pessoas que entram ou saem do município, aplicando 120 doses diariamente em postos montados na estação rodoviária e no aeroporto. A validade da vacina é de dez anos, mas muitas pessoas, preocupadas com notícias sobre mortes, estão pedindo para receber doses de reforço.
Dengue - Em Belém, o Instituto Evandro Chagas (IEC) deve divulgar amanhã (20), o resultado de exame de um paciente com suspeita de ter contraído a dengue hemorrágica, o tipo mais perigoso da doença e que pode levar à morte. O diretor do hospital, Otávio Cascaes Dourado, não quis revelar o nome do paciente, dizendo apenas que é uma moça. O hospital teria recebido dois outros pacientes com os mesmos sintomas da dengue hemorrágica, mas Dourado não quis falar sobre o assunto.


