Brasília, 10 (AE) - A Secretaria de Saúde do Distrito Federal está tentando tranquilizar a população, que assustada com a morte de um rapaz supostamente contaminado por febre amarela contraída durante um passeio a Alto Paraíso (GO), tem enfrentado longas filas em postos de saúde para tomar a vacina que somente oferece proteção após duas semanas da aplicação. Esse é o prazo mínimo necessário para o organismo criar anticorpos ao vírus. "Não há motivo para pânico, não existe surto da doença em Brasília", pondera a coordenadora do Programa de Vigilância Epidemiológica do Departamento de Saúde, Ivone Peres de Castro, ressaltando ainda haver vacinas em quantidade suficiente para a população.
Somente no sábado foram aplicadas 44.130 doses, segundo Ivone. Nunca se viu em Brasília uma corrida por vacina como a que se assiste desde a morte de Allison Neres, na terça-feira passada. Para Ivone, o desespero da população não se compara sequer ao que ocorreu em 1993 com um surto de meningite na cidade. Naquela época, o governo local programou uma campanha por causa dos inúmeros casos registrados e acabou vacinando 400 mil pessoas. "Desta vez, estamos indo atrás da população", observa Ivone, impressionada com a demanda exagerada. "Temos estoque, não existe motivo para preocupação". Ela conta que no sábado, os postos fecharam às 18 horas com os funcionários exaustos.
Hoje, a corrida aos postos de saúde continuou intensa e em alguns locais chegou faltar o imunizante, mas logo o abastecimento foi restabelecido. No posto de Saúde Sete, na Asa Sul, a vacina faltou antes do meio-dia - horário em que mais de 1 mil pessoas tinham sido vacinadas. Até às 15h29 de hoje outras 760 pessoas receberam a vacina. "Isso aqui está uma coisa de louco", disse a enfermeira Valderez Maria Alves Leite. Ela informou que o estoque de vacinas foi renovado em duas mil doses.
A vacina, que não pode ser tomada por quem está com câncer, leucemia, aids ou grávida, também faltou no Posto de Saúde Seis. "Mas já recebemos mais 2 mil doses", informou a enfermeira Ana Cláudia, ao explicar que no período de uma hora são vacinadas em média 200 pessoas. Segundo Claudia, em outras épocas do ano o posto aplica uma média de 150 doses do imunizante anti-amarílico por semana. Medo - Apesar de não ter sido registrado nenhum caso de febre amarela em Brasília, onde pacientes do Estado de Goiás estão sendo tratados, as pessoas estão com medo de um surto da doença. É o caso de Luciana Carvalho, de 28 anos, que hoje levou a família inteira ao posto de saúde. Ela se dizia "muito preocupada" com a possível entrada da febre amarela em Brasília. A professora Vera Lúcia Fialho, 53, que já vacinou toda a família, levou hoje ao posto o pai, Osias Fialho, de 82 anos, para ser vacinado.
"É uma doença grave e não podemos nos arriscar", reconhece o técnico em manutenção Aldesio Abrahão Faid, de 43 anos. Ele acha, no entanto, que as campanhas de orientações sobre os perigos das doenças deveriam ser mais amplas. A dona de casa Girlene Neiva dos Santos, de 39 anos, também reconhece falhas na divulgação sobre os perigos das doenças.