São Paulo, 27 (AE) - Dois ônibus, com 75 infratores maiores de idade - segundo a Polícia Militar -, foram conduzidos hoje do Complexo Tatuapé da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) para o Centro de Observação Criminológica (COC) no Complexo Penitenciário do Carandiru, zona norte. O 1.º Batalhão de Choque fez a escolta dos ônibus, com quatro veículos.
A promotora da Infância e da Juventude Sueli Riviera disse não se tratar de transferência e sim de uma "permuta". "Os maiores de idade foram para o COC e os com menos de 18 anos
que estavam no COC depois da rebelião, foram para o Tatuapé". Segundo ela, a adoção da medida foi confirmada pelo diretor técnico do Complexo Tatuapé, Vicente de Paula Silva. A Febem recusou-se a fornecer informações à imprensa. "Os adolescentes devem ser transferidos para unidades educacionais adequadas", disse o promotor Wilson Tafner.
Hoje, o Ministério Público Estadual (MPE) solicitou, por meio de representação enviada à juíza-corregedora da Febem, Mônica Paukoski, a transferência urgente dos cerca de 130 adolescentes instalados no COC. "Eles estão cumprindo medida socioeducativa e não pena de prisão", explicou. Os promotores da Infância e Juventude esperam receber amanhã (28) o laudo do Instituto de Criminalística com a avaliação das condições do Complexo Imigrantes, onde três das quatro alas estão destruídas. Os promotores devem entrar com ação pedindo a interdição da unidade até o fim da semana. Outra ação - A família de A.N.O., de 17 anos - morto durante a rebelião de segunda-feira -, deve entrar com ação de indenização contra a Febem e o Estado. "Nós temos informações de policiais militares de que A. não praticou nenhum ato infracional, portanto não deveria estar internado", disse o advogado Rildo de Oliveira, ligado ao Centro de Defesa do Menor. Segundo ele, A. teria dito a uma assistente social que estava recebendo ameaças de morte. "A Febem foi omissa". Briga - Uma briga deixou o clima tenso no Complexo Tatuapé hoje pela manhã. Dois internos discutiram e, segundo a PM, atearam fogo em colchões. A Tropa de Choque foi ao local, mas a Febem nega que tenha sido para controlar a situação.

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