São Paulo, 23 (AE) - Cerca de 100 internos do Complexo Imigrantes da Fundação para o Bem Estar do menor (Febem) se rebelaram hoje à tarde. O estopim para a revolta foi a tensão gerada quando os menores souberam da greve dos funcionários da Fundação anunciada para a próxima terça-feira.
Segundo o assessor de imprensa da instituição, Reinaldo Antônio, por volta das 14 horas um monitor teria dito aos internos que a Tropa de Choque da Polícia Militar iria entrar no local e "arrepiar", o que deixou os internos tensos.
Adolescentes da ala D, que tinham sido transferidos para a ala B, por motivo de reformas, atearam fogo em colchões e passaram a destruir o local. O diretor da unidade, Jorge Guedes, interveio e iniciou um diálogo com os rebelados.
A situação se acalmou, mas assim que os internos foram encaminhados para o pátio da ala, entraram em confronto com outros da mesma ala. Os monitores não conseguiram controlar a situação e os jovens subiram no telhado, passando a agredir os rivais com pedaços de pau e armas improvisadas. Eles reivindicavam a transferência para a unidade do Tatuapé e reclamavam de agressões sofridas por alguns monitores.
Para tentar apressar o atendimento às reivindicações, os rebelados fizeram sete adolescentes de reféns. A situação ficou mais tensa por volta das 17h15, quando policiais militares da Tropa de Choque começaram a lançar bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral sobre o telhado.
Dez adolescentes ficaram levemente feridos e foram levados ao Pronto Socorro do Hospital Jabaquara. Oito funcionários da instituição também tiveram ferimentos leves e foram encaminhados para o mesmo hospital.
A ala B ficou totalmente destruída. A situação só foi controlada por volta das 18 horas. Os internos serão transferidos para a ala educacional da unidade, que será adaptada. O local servia como área de recreação. Segundo ainda a assessoria de imprensa, alguns adolescentes deverão ser transferidos para outras unidades da Febem.
Durante a rebelião, o secretário de Segurança Pública, Marco Vínicio Petrelluzzi, esteve no local para acompanhar a atuação da polícia.Por Marcelo Goto ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca amplia e atualiza informações, com novo texto.

mockup