Febem registra nova rebelião
Agência EstadoMãe de um dos detentos da Febem se ajoelha diante dos policiais militares: clima foi tensoParentes de menores tentaram invadir ontem a Fundação do Bem-Estar do Menor, unidade Imigrantes, na zona sul de São Paulo. A Tropa de Choque foi chamada e entrou no local para acalmar a situação. Há informações de que alguns menores conseguiram fugir quando familiares tentavam entrar. Anteontem à tarde houve uma rebelião no local e cerca de 40 fugiram.
A rebelião começou logo depois do fim da visita, por volta das 16h30. A Polícia Militar cercou o local. Em três pontos do complexo, os rebelados atearam fogo em colchões e pedaços de madeira. O dormitório 2 foi bastante atingido pelas chamas. O Corpo de Bombeiros chegou às 19 horas. Para conter a confusão, alguns funcionários encapuzados chegaram a agredir alguns internos. Um garoto deixou desacordado o complexo numa ambulância. Segundo informações não oficiais, havia seis feridos.
Alguns pais se descontrolaram ontem devido à falta de notícias e jogaram-se contra o portão, tentando entrar na unidade. Desde as 20 horas de sábado, a Tropa de Choque da Polícia Militar permaneceu na área de acesso para impedir tentativas de invasão. Por volta das 23 horas, quando a situação parecia tranquila - pelo menos do lado de fora -, os soldados deixaram o local. Menos de duas horas depois, houve mais confusão e os homens voltaram, armados e com escudos.
O governador Mário Covas (PSDB-SP) afirmou ontem à tarde que quem maltratar menores na Febem vai para a rua. ‘‘Só não vai direto para a cadeia porque eu não tenho poder para isso.’’
Perguntado sobre o que o governo estadual faria diante da nova confusão, ontem, na unidade, Covas respondeu: ‘‘Vocês querem que eu diga que não tem solução hoje para dar a manchete do jornal de amanhã, só posso dizer que a solução virá de várias ações’’. O governo, informou, está terminando um projeto para atender solicitação da Justiça, que deu 90 dias para que os abrigos de menores mantenham, no máximo, 80 crianças cada.
Covas disse que o problema da superlotação das unidades da Febem esbarra em vários obstáculos, entre eles o preconceito. Ele citou como exemplo um fato ocorrido anteontem, durante visita a Marília, região oeste do Estado. Ele contou ter recebido manifestações da população contrárias à intenção do governo de instalar uma unidade da Febem no local. ‘‘Eles reclamam da violência, mas se negam a receber 80 crianças por causa de um preconceito idiota.’’

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