Agência Estado
De São Paulo
Mais 26 adolescentes fugiram ontem à tarde do Complexo Tatuapé da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Um rapaz armado com estilete rendeu um vigilante. Depois disso, foi só pular os muros. Nove deles acabaram recapturados.
Toda a semana que passou foi marcada por fugas e rebeliões nos complexos do Tatuapé é do Imigrantes, bem como supeitas de desvio de verbas e afastamento de diretores. Mal esta começou, nova rebelião. Ontem foi a vez da unidade de Franco da Rocha, considerada tranquila e onde estão internados menores que praticaram pequenos delitos. Foram dez horas de motim – o segundo levante em menos de sete dias – encerrado apenas com a chegada da Tropa de Choque da Polícia Militar e da cavalaria.
A situação da Febem é preocupante e nem mesmo as medidas adotadas – plano de contenção de fugas e afastamentos – por seu novo presidente, Guido Andrade, têm surtido efeito. Em nove dias, houve oito rebeliões. Pelo menos 890 menores, detidos por furtos, assaltos e homicídios, escaparam. A média dos recapturados não passa da metade do total.
A direção de Franco da Rocha acredita que o motim ocorreu por causa da internação de 13 menores considerados de alta periculosidade, vindos de Ribeirão Preto. A transferência deles já foi requerida pelo diretor Paulo Ayrton Rossato. A rebelião começou por volta das 21h30 de anteontem. A Tropa de Choque chegou por volta das 2 horas. Foram encontradas várias armas brancas e frascos de desodorantes, que usam para misturar a bebidas.
A Assessoria de Imprensa da Febem informou ontem que a situação do Complexo Imigrantes – palco de nova rebelião anteontem – está tranquila. Não houve mais recapturas. No domingo, 169 internos fugiram. No domingo retrasado, as fugas somaram 644. Na ocasião, monitores foram flagrados espancando menores.

mockup