São Paulo, 28 (AE) - Os cacos de vidro sujos de sangue que cobriam o piso da portaria principal e calçada da unidade Tatuapé da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), na Avenida Celso Garcia, em São Paulo, foram retirados. Hoje faltava repor apenas um dos vidros quebrados na noite de segunda-feira pelos internos que tentavam fugir.
As 16 pessoas da Frente de Trabalho do Governo Estadual, auxiliadas por alguns internos, iniciaram às 10 horas uma faxina geral nos pátios. Varreram o chão, recolheram o lixo, entulho, galhos de árvores, pedaços de paus e pedras. Tudo que pudesse servir de arma numa nova rebelião.Amanhã (29) vão cortar o mato e, em seguida, pintar as paredes externas dos prédios, para dar "uma visual mais agradável", justificou um funcionário da Divisão Técnica-3.
Os prejuízos ainda não foram calculados. O saldo de três dias de rebelião no complexo aponta para oito carros de funcionários incendiados e dez depredados.O almoxarifado interno e a administração pessoal foram totalmente destruídos pelo fogo. Já a Divisão Técnica-3 e o Bolsão, onde é feita a triagem dos menores que chegam, foram atingidos parcialmente pelas chamas. No dia da rebelião, havia 60 menores no local. Os rebelados depredaram ainda o Núcleo de Saúde (área médica), o setor administrativo da Escola de Oficina (as salas não foram danificadas), a cozinha central e parte da lavanderia.
Da rua, nada disso era visível. Às 15 horas, da Rua Nelson Cruz ouvia-se o apito e os gritos da partida de futebol que era disputada numa das quadras do complexo. Alguns funcionários da segurança tiravam um rápido cochilo, sentados sob frondosas seringueiras. "Mas estou atento a qualquer problema", justificou um deles, que não se quis identificar.
Sossego - A não ser pela presença de algumas equipes de televisão e de quatro policiais do Regimento 9 de Julho, nada fazia lembrar os últimos dias de tensão na região.Cerca de 200 pessoas da Frente de Trabalho do Governo do Estado vão atuar na Febem. Elas deveriam começar o trabalho só na semana que vem, mas o governador Mário Covas determinou que a antecipação do início do serviço. Assim, na tarde e noite de terça-feira foram convocadas 55 pessoas, mas apenas 16 atenderam ao chamado.
Elas compareceram à Febem às 8 horas. Inicialmente, assistiram a uma palestra de apresentação do serviço e receberam orientações com relação a segurança nas unidades, a convivência com os internos e como agir no caso de uma rebelião.Depois de tomar um lanche, iniciaram a limpeza, às 10 horas. Amanhã serão convocados mais 100 e, na sexta-feira o restante, completando o quadro de 200 pessoas. Cada um receberá R$ 150,00 por mês, cesta básica e vale-transporte.

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