Febem não tem problema de dinheiro, diz Covas
São Paulo, 26 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) falou hoje sobre os problemas da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Irritado em alguns momentos, tenso durante quase toda a entrevista coletiva, criticou promotores e funcionários e disse não ser possível prever em quanto tempo o problema da instituição poderá estar resolvido. Pergunta - O Estado pretende indenizar as famílias dos internos mortos? Mário Covas - Não me consta que o Estado tenha matado. (...) Em primeiro lugar, quem falou em indenizar? Pergunta - Eles estão sob a guarda do Estado... Covas - Então está bom. Se a Justiça determinar, vai ter de pagar. Pergunta - Em quanto tempo a Febem deixará de estar no noticiário dessa forma? Covas - Não sei dizer para você quanto tempo demora. Isso não é coisa que se possa fixar data. Pergunta - A Febem hoje é o maior problema de seu governo? Covas - Não sei se é o maior problema. Os juízes, aí, são vocês, não eu. Pergunta - Como isso abala o senhor? Covas - Isso não é uma pergunta que se faça. (irritado) Eu não vou lhe responder. Isso é uma pergunta provocativa. Ora (muito irritado), tem lógica perguntar de que forma isso abala. O que você quer que eu responda? Que não abala nada? Pergunta - Eu perguntava do ponto de vista político. Covas - Não há ponto de vista político. Isso é do ponto de vista humano. Do ponto de vista político não me afeta. Eu não tenho nenhuma pretensão política. Eu já cheguei além das minhas expectativas. Não sou mais candidato a nada. Me atinge do ponto de vista pessoal, do ponto de vista moral. Pergunta - O Ministério Público acha que é preciso separar os menores mais perigosos. Quando vai ocorrer isso? Covas - Aconteceu 15 dias atrás, quando mandamos um grupo para São José do Rio Preto. A Justiça, no entanto, resolveu mudar os meninos e, ao mudar, mandaram meninos mais pesados. Eles chegaram lá, ficaram dois dias, alguns fugiram e o padre que tomava conta daquilo os mandou de volta para cá. É tudo muito simples, muito fácil. Mas hoje eu vi um promotor público dizer no jornal o seguinte: "Colocar uma instalação da Febem em Franco da Rocha é um problema para o meio ambiente". E, portanto, o juiz deu uma liminar e as duas instalações que seriam feitas lá já não vão ser feitas. Pergunta - A Justiça tem responsabilidade nesse caso? Covas - Não, não. A sociedade inteira tem responsabilidade. A maioria é minha, que sou governador do Estado, mas todos nós temos responsabilidade. Ou vocês acham que as crianças sofrendo o que sofrem... Vocês já se ativeram a ver que tipo de criança está lá na Febem? Mais de 70% delas vive em casa própria. Não é a população mais pobre que está na Febem, não. Agora, é um assunto delicado, complicado de ser tratado. Pergunta - O senhor acredita que funcionários têm responsabilidade? Covas - Não tenho a menor dúvida que tem funcionário que tem responsabilidade. Tanto que já botei na rua alguns. Pergunta - Como manter segurança nessas duas unidades mais problemáticas? Covas - Da mesma maneira. Se você tiver monitores para trabalhar
por que os que não forem trabalhar vão para a rua, todinhos. Os que não compareceram hoje, porque se disseram em greve, vão para a rua mesmo, nem que tenham de ir todos. Aí, o que nos sobra? Nos sobra a polícia. Mas ela não vai entrar, vai ter de ficar cercando aqui. (...) Mas o choque com a polícia é diferente do choque com o monitor. A polícia não pode entrar num lugar, ser agredida e... sabe, não fica calada mesmo. Nenhum de nós ficaria. Então você tem de ter um cuidado danado para não acontecer o pior. Pergunta - Como o senhor avalia o fato de os funcionários terem desistido de fazer greve? Covas - Não fizeram mais nada que a obrigação. Com uma encrenca desse tipo, só falta agora funcionário querer fazer greve. A média de ganho da Febem é R$ 1.600,00. Portanto, é dos melhores salários que tem no Estado. Bem, está errado? Está errado. Mas só tem um jeito de mudar isso. Vamos ter de mudar isso com o carro em movimento (...) O problema da superlotação está sendo encarado. Estão sendo feitas no interior sete unidades. Estão sendo feitas, se forem feitas, mais duas unidades temporárias em Franco da Rocha (...) Agora, essas coisas não vão acontencer instantaneamente. Pergunta - E dinheiro... Covas - Não tem problema de dinheiro. A Febem nunca teve problema de dinheiro. Nunca faltou para a Febem nem um tostão.





