Brasília, 17 (AE) - Integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara querem que o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), defina um prazo para resolver os problemas da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), após a onda de rebeliões registradas nas últimas semanas. Na terça-feira uma comissão vai visitar as unidades da Febem Imigrantes - onde monitores foram flagrados agredindo menores já rendidos e de cuecas - e Tatuapé.
"O sistema de atendimento ao jovem precisa ser readequado e a sociedade espera uma resposta", disse hoje a deputada Rita Camata (PMDB-ES), autora do pedido de criação da subcomissão. Além dela, integram o grupo os deputados Émerson Kapaz (PPS-SP), Luíza Erundina (PSB-SP), João Fassarella (PT-MG)
Eduardo Barbosa (PSDB-MG) e Paulo César Develasco (PST-SP). A comissão aguarda a confirmação de audiência pedida ao governador.
Rita Camata criticou o sistema de atendimento aos jovens. "É um modelo ineficiente, já condenado e irregular em relação ao que determina o Estatudo da Criança e do Adolescente", disse, condenando a superlotação. Para a deputada
a maioria dos infratores não deveria estar internada, mas em regime de liberdade assistida. "Hoje a Febem é um depósito de jovens." Depois de visitar as unidades Imigrantes e Tatuapé, os deputados vão participar de encontro, às 14h30, com a Comissão Permanente de Conselhos Tutelares de São Paulo e entidades ligadas à infância na Assembléia Legislativa. Como a visita à Febem já foi anunciada, os deputados temem que as unidades sejam "maquiadas" para recebê-los. "Mas a superlotação é uma realidade que não se tem como esconder", disse Rita Camata.

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