São Paulo, 14 (AE) - O presidente da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), o advogado Guido Andrade, voltou a invocar hoje o mágico Mister M enquanto falava das soluções para a instituição. Questionado sobre o tempo que será necessário para que o problema do número de vagas no Complexo Imigrantes seja diminuído, Andrade irritou-se. "Me deixem respirar", disse. "Vocês querem tudo imediatamente; desse jeito é melhor chamar o Mister M".
Ele afirmou que está buscando cerca de 300 vagas, na unidade da Rodovia Raposo Tavares e nas do interior. Andrade disse que essas transferências de internos devem ser feitas num prazo entre 15 e 40 dias. "Disso não passa". O presidente da Febem não explicou, porém, como vai ficar o Complexo Imigrantes com relação à superlotação, quantas vagas ficarão disponíveis. "Não vou fazer promessas". Também está sendo estudada, segundo ele, a construção de uma unidade "pré-moldada" para abrigar 960 internos. O prazo de construção ficaria entre quatro e seis meses e não seria necessário o processo de licitação.
"O governador (Mário Covas, PSDB) está estudando isso"
disse ele. Essa unidade seria construída na Vila Prudente, na zona leste, ou no município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Para resolver a questão da superlotação, Andrade afirmou que quer também entrar em contato com o Ministério Público Estadual para apressar os trâmites dos internos que já poderiam ser liberados, mas permanecem na instituição porque os laudos da Justiça estão atrasados. "Mesmo os laudos das assistentes sociais da Febem estão atrasados", disse. Brigadas - Andrade reafirmou que vai criar uma brigada anti-rebelião para tentar controlar os motins e evitar fugas. "Precisamos de uma estrutura para que não haja bagunça". Ele fez questão de esclarecer, porém, que não se trata de usar violência para reprimir as fugas. "Sou um homem de Direitos Humanos, não estou levando a Polícia Militar para dentro da Febem".
A brigada será composta por policiais e funcionários da própria entidade, que não usarão armas, de acordo com o presidente da Febem. Guido Andrade disse que pretende punir funcionários se for comprovado algum tipo de facilitação de fuga nas unidades. "Os responsáveis serão punidos", disse. "Não vou admitir que queiram testar o novo presidente".

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