Belém - Começou ontem o julgamento, no Tribunal do Júri, em Belém, dos fazendeiros Vantuir Gonçalves de Paula e Adilson Carvalho Laranjeira, acusados de mandar matar, em dezembro de 1985, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no sudeste do Pará, João Canuto de Oliveira. Eles negaram o crime.
O promotor de Justiça Edson Cardoso pediu ontem pena máxima de 30 anos para os acusados. Os dois pistoleiros que mataram Canuto com 19 tiros nunca foram identificados. O julgamento dos fazendeiros, esperado há 18 anos, deve terminar amanhã.
Os outros três acusados estão foragidos: o fazendeiro Ovídio Gomes de Oliveira, apontado como mandante; o taxista Jandir ou Jurandir Pereira da Silva e o mecânico Gaspar Roberto Fernandes, acusados de intermediar a contratação dos dois pistoleiros. Há dois anos surgiram indícios de que os executores seriam os pistoleiros conhecidos por Ceará e Neguinho. Laranjeira é ex-prefeito de Rio Maria.
O crime teve repercussão internacional. A demora no julgamento desse e de outros casos importantes levou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) a condenar o Brasil, simbolicamente, em 1999, por descumprir uma convenção firmada com a instituição.
Representantes da Anistia Internacional e o juiz da Corte de Cassação da França, Olivier Guérin, estão em Belém acompanhando o julgamento, assim como alguns atores da Rede Globo como Letícia Sabatella, Marcos Winter, Dira Paes e Carla Marins.
O advogado Sílvio Souza, defensor dos fazendeiros, afirmou ter argumentos para absolver os acusados. Mas a promotoria guarda como trunfo o depoimento da testemunha Olinto Domingos Vieira, o Semente, vendedor de sementes de capim a fazendeiros. Ele afirma que participou de um churrasco em que os fazendeiros Vantuir de Paula e Ovídio de Oliveira recolhiam dinheiro de outros fazendeiros para pagar os pistoleiros que matariam João Canuto.
Cinco anos após a morte de João Canuto três de seus filhos: José, Paulo e Orlando foram sequestrados, e dois deles: José e Paulo assassinados também por questões de terra. Orlando escapou com vida, mas ficou gravemente ferido. A onda de violência na região continuou e o sucessor de João Canuto, na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Expedito Ribeiro, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991.
O sucessor de Expedito, Carlos Cabral, genro de João Canuto, foi ferido num atentado a bala, um mês depois. Braz de Oliveira, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 1990.

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