Fazendeiros usam agrotóxico proibido no Amazonas
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Edson Luiz e Kátia Brasil, especial para a AE 
Brasília, 24 (AE) - Vários fazendeiros do sul do Amazonas estão utilizando o agrotóxico Tordon 2D10 no desmatamento. Proibido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o veneno pode provocar câncer e tem efeitos mutagênicos no ser humano. Em uma inspeção preliminar, o Ibama constatou o uso do agrotóxico em aproximadamente 200 hectares. Mas, segundo o superintendente do órgão no Amazonas, Hamilton Casara, a área poderá ser bem maior.
Altamente tóxico, o veneno poderá causar sérios danos ambientais na região, afetando a fauna e a população local. "Estamos enviando material coletado na área para examinar e verificar o grau de comprometimento da região", afirmou o superintendente.
O agrotóxico está sendo usado em fazendas próximas à cidade de Boca do Acre, na divisa do Amazonas com o Acre, onde começou, no fim do ano passado, uma frente agropecuária. "Tudo está acontecendo como há 20 anos, no sul do Pará, quando a onda migratória devastou parte da região", explicou Casara.
Segundo técnicos do Ibama, os fazendeiros usam aviões para espalhar o veneno pela floresta. "Não temos idéia dos efeitos causados pela aplicação do agrotóxico", informa o superintendente. Os proprietários das áreas usam o Tordon 2D10 para diminuir os custos dos desmatamentos. "O veneno seca a vegetação em dois dias", explica. "A partir daí, eles colocam fogo e depois jogam as sementes, também de avião." Efeitos - Segundo avaliação preliminar do Ibama, quase toda a vegetação das margens dos igarapés será extinta nos próximos meses. "A área corre o risco de ficar sem água no futuro", observa Hamilton Casara. Além disso, a fauna está seriamente afetada. "Ali existem antas, pacas, cutias, porcos-do-mato e onças, além de pequenos animais que podem morrer por causa do agrotóxico."
Na região ainda existem muitos seringais nativos, que também estariam sendo atingindos pelo veneno, que pode causar câncer e até mutações em quem o ingerir. Segundo o Ministério da Agricultura, esse tipo de agrotóxico não tem registro no setor, já que é usado basicamente em áreas florestais.
Segundo Casara, na primeira inspeção realizada no início da semana, foi constatada a presença do agrotóxico em aproximadamente 200 hectares. "Mas, pelo que estamos vendo, a área é muito maior", afirma. Hoje o Ibama enviou mais uma equipe de técnicos e fiscais para inspecionar as fazendas. Além do processo penal, os infratores serão alvo de multas, que não passam de R$ 4,9 mil, já que a Lei Ambiental ainda não foi regulamentada. //FIM/RGR/REDAEGER/


