Fazendeiros, sem-terra e políticos do MS formam comissão pró-reforma agrária
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domingo, 25 de abril de 1999
Por João Naves de Oliveira 
Campo Grande, 26 (AE) - Fazendeiros, sem-terra e políticos do Mato Grosso do Sul decidiram hoje formar uma comissão para pressionar o presidente Fernando Henrique Cardoso a acelerar o processo de assentamento de trabalhadores rurais no Estado. A decisão foi tomada em audiência pública,da qual participaram todos os segmentos no processo de reforma agrária, principalmente líderes de sem-terra e fazendeiros, na Assembléia Legislativa.
Ficou acertado que o primeiro passo da comissão será uma audiência com o presidente da República e outra com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann. Além disso não haverá invasões de fazendas patrocinadas pelos movimentos dos sem-terra durante o período em que a comissão estiver negociando com o governo federal.
Na reunião, que começou às 9h e terminou às 16h, o superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra ), Paulo Afonso Condé, disse que a meta de novos assentamentos caiu de 3,7 mil famílias para 1,5 mil até o final do ano. Ele fez um balanço da produção nos assentamentos
mostrando que o padrão de vida das famílias está melhorando.
Os dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e da Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Fetagre) lembraram que há pelo menos 12 mil famílias acampadas em 21 municípios do Estado à espera de assentamento. Para o deputado estadual Paulo Corrêa (PTB), presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da AL, é praticamente insignificante a meta de assentamentos do Incra este ano, depois do corte de 47% no orçamento da reforma agrária. Ele destacou que pelo menos 3 mil famílias deveriam ser assentadas este ano, o mesmo número do ano passado.


