Fazendeiros são condenados por crime
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domingo, 29 de junho de 1997
Agência Folha Imperatriz (MA) 
O conselho de sentença do Tribunal do Júri Popular de Imperatriz, no Maranhão, considerou ontem culpados os réus Geraldo Paulo Vieira, de 62 anos, Adailson Gomes Vieira, de 39 anos, e Guiomar Teodoro, 46 anos, na condição de mandantes do assassinato do padre Josimo Moraes Tavares, morto a tiros em maio de 1986. O padre era coordenador da CPT (Comissão Pastoral da Terra, da Igreja Católica) na região do Bico do Papagaio (norte de Tocantins) e sua morte teria sido planejada por um grupo de fazendeiros da região.
O autor confesso do crime, Geraldo Rodrigues da Costa, 42 anos, foi condenado em 1988 a 18 anos e meio de prisão. Ele confirmou ter sido contratado para matar o padre. O fazendeiro Geraldo Paulo Vieira foi condenado a 18 anos de prisão, por manifestar intenção na morte da vítima, segundo a sentença assinada pelo juiz José Américo Abreu Costa e lida por ele no tribunal às 6h30 de ontem, depois de 37 horas de julgamento. Vieira teria participado do acordo em que foi decidida a morte do padre.
Seu filho, o ex-funcionário público da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) de Goiás (hoje Tocantins), Adaílson Gomes Vieira, que teria intermediado o pagamento a Costa, recebeu a maior pena: 19 anos de reclusão. Ele foi o único condenado por unanimidade dos votos dos sete jurados. Os outros dois foram condenados por maioria dos votos. Guiomar Teodoro, filho do fazendeiro José Teodoro da Silva (já morto) e irmão de Osmar Teodoro da Silva (acusado foragido desde a data do crime), pegou condenação de 14 anos de prisão, mesmo diante da insistência da defesa em dizer que não havia provas contra ele.
Os três, presos já desde agosto de 94, deverão ter redução do prazo a cumprir pelo tempo em que já se encontram presos aguardando o julgamento. Eles deverão cumprir suas sentenças na Penitenciária Agrícola de Pedrinhas, em São Luís (MA). Como nenhum dos réus foi condenado a mais de 20 anos de prisão, seus advogados terão prazo de cinco dias para apelar da condenação e pedir realização de novo julgamento.
De acordo com a CPT, as sentenças de ontem totalizam dez condenações a mandantes de crimes relacionados com questões de terra no Brasil desde 1985. Nesse período, de 976 mortes no campo, originaram-se 56 julgamentos, dos quais 14 com mandantes dos crimes. O Tribunal do Júri Popular de Imperatriz deve julgar no final deste ano outros dois fazendeiros acusados de ser também mandantes da morte do padre Josimo. Os irmãos Nazaré e Osvaldino Teodoro da Silva respondem ao processo em liberdade e também teriam participado da trama para matar o padre.


