Fazendeiros querem tropa no MS; e o MST concorda
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segunda-feira, 10 de agosto de 1998
Agência Folha 
O MNP (Movimento Nacional de Produtores) pediu ontem à tarde ao comandante do CMO (Comando Militar do Oeste), general-de-divisão Gilberto Barbosa de Figueiredo, que desloque tropas para dar segurança a fazendas no sul de Mato Grosso do Sul. O MNP entregou ao general, em audiência às 17 horas, cópias de um relatório da Polícia Civil da cidade de Mundo Novo a respeito do incidente ocorrido no último dia 2 na fazenda Savana, em Japorã (350 km de Campo Grande). Na ocasião, trabalhadores rurais sem terra ligados ao MST mataram 26 cabeças de gado e tomaram máquinas fotográficas de policiais civis que registraram o abate.
O coordenador do MNP (Movimento Nacional de Produtores), entidade apoiada pelas quatro principais entidades representativas dos ruralistas no país, Renato Merem, 41 anos, denunciou que mais 22 cabeças de gado teriam sido mortas na semana passada por sem-terra na fazenda Remanso Guaçu, em Mundo Novo, vizinho de Japorã.
Segundo o MNP, o relatório policial aponta o uso de cerca de 500 armas de fogo pelos sem-terra no acampamento em Japorã. O MNP entregou ainda ao general uma fita com o depoimento do delegado de Mundo Novo, Joel José da Silva.
Os coordenadores do MST negaram o uso de armas de fogo no acampamento, mas apoiaram a presença do Exército, com a condição de que as tropas façam vistorias em todas as grandes fazendas da região. Se for para desarmar os seguranças armados da área, nós apoiamos , disse Márcio Bissoli, 27 anos, da coordenação estadual.
Lúcio Meurer, 31 anos, também da coordenação, disse que os sem-terra resolveram matar o gado na fazenda Savana porque passavam fome. A audiência no CMO não pôde ser acompanhada pela imprensa. A seção de comunicação social do CMO foi procurada por telefone pela reportagem, mas não havia dado retorno até o final da tarde de ontem


