Fazendeiros protestam contra MST
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sexta-feira, 24 de outubro de 2003
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba-Produtores rurais, apoiados pelo setor industrial e comercial, realizaram ontem uma manifestação no muncípio de Palmas (95 km a leste de Pato Branco) em protesto às invasões de terra realizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela defesa do Estado de Direito. Foi o Movimento pela Paz no Campo. Participaram da manifestação ruralistas da região sudoeste do Paraná e oeste de Santa Catarina. Essa foi a quinta grande manifestação do movimento realizada no Estado.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Palmas, José Antônio Bueno, o protesto é contra descumprimento de mandados reintegração de posse pelo governo. Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), no Paraná há 76 imóveis rurais à espera de reintegração de posse pelo governo, enquanto apenas 24 foram cumpridas este ano. ''Agindo assim o governo está desmantelando o setor que mais gera renda para o País. E daí vai sustentar o País como? Até agora não se viu lucro nenhum para o País da produção dos assentamentos'', argumenta Bueno.
Durante o protesto, os produtores rurais aprovaram a ''Carta de Palmas''. Esse documento, que contém ''um alerta às autoridades governamentais para o risco de uma convulsão social'', vai ser enviado tanto ao governo do Estado quanto ao governo federal. ''Relatamos mais uma vez os problemas e pedimos soluções urgentes, pois se continuar indo pelo caminho que está cada vez mais produtores vão sair perdendo'', afirmou Bueno. Segundo a Faep, a carta mostra ''o descontentamento popular com os abusos dos sem terra e a maneira permissiva como os governos tratam o assunto''.
Bueno acredita que embreve serão os comerciantes e industriais que terão suas propriedades invadidas. ''Amanhã teremos os sem-indústria, os sem-loja, os sem-supermercado...'', alfinetou. Comerciantes fecharam as portas por alguns minutos, equanto cavalos, máquinas agrícolas, caminhões e carros passavam. Os donos de indústrias manifestaram apoio com faixas às reivindicações dos proprietários de terras.
Participaram da Movimento pela Paz no Campo representantes de 70 municípios, a Faep, o Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), representantes da Federação da Agricultura de Santa Catarina, do Conselho das Sociedades Rurais, da OAB, das Associações Comerciais e Industriais, dos Sindicatos Rurais do Sudoeste, prefeitos, vereadores e deputados estaduais e federais.


