La Paz, 17 (AE-AP) - Cerca de mil plantadores de folha de coca da região subtropical de Yungas, ao norte de La Paz, bloquearam nesta segunda-feira (17) diversas rodovias que interligam o altiplano boliviano com outras regiões do país para impedir que o governo ponha em prática um programa de erradicação de 3.000 hectares de seus cultivos previsto para 2001.
Eles querem mudanças na lei que fixa quotas máximas de venda da folha da coca no mercado. A interrupção concentrou-se em Yolosa, na região de Yungas, a 90 quilômetros da capital. Em algumas áreas, a obstrução provocou confrontos entre camponeses e caminhoneiros.
O líder do movimento, o agricultor José Montevilla, disse que, enquanto as autoridades não suspenderem a medida, a obstrução será mantida. Mas o ministro de Informação Governamental, Ronald MacLean, disse que uma comissão foi enviada a Yolosa para dialogar com os dirigentes da manifestação.
O governo permite o cultivo limitado da planta para suprir os camponeses aymarás e quechuás que mastigam a folha de coca e a utilizam em seus rituais e em medicamentos tradicionais.
Mas, de acordo com vice-ministro da Defesa, Guilhermo Canedo, nos últimos anos a área plantada aumentou de 12.000 para 15.000 hectares enquanto o consumo do produto decaiu, o que "demonstra que a coca de Yungas também serve ao narcotráfico".
O governo acusou os traficantes de estarem por trás dos bloqueios. A folha de coca é utilizada para fabricação de cocaína.
Canedo diz que a meta do programa de erradicação é manter apenas os 12.000 hectares e erradicar o restante. A região de Yungas é a única do país em que esse plantio é legalizado.
O protesto dos camponeses desafia o estado de sítio imposto pelo presidente Hugo Bánzer há cerca de duas semanas e rompe com um pacto firmado sexta-feira entre os líderes sindicais e o governo, segundo o qual ficaram acertadas negociações sobre reivindicações dos camponeses.
Foram enviados à região efetivos militares e policiais para evitar confrontos entre motoristas e agricultores, mas não foram registrados enfrentamentos nem prisões.
Estado de sítio - A greve convocada para hoje pela Central Operária Boliviana para protestar contra o estado de sítio não foi acatada pelos trabalhadores de nenhuma das grandes cidades. Também não foram realizados os protestos de rua previstos.

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