Belém - Os fazendeiros do sul do Pará decidiram enfrentar a invasão de suas propriedades com um instrumento que antes só vinha sendo utilizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) para pressionar autoridades a atender suas reivindicações: o fechamento de estradas. Com cerca de 10 mil bois, caminhões e máquinas agrícolas, eles interditaram por mais de cinco horas a rodovia PA-275, no km 28, à altura da fazenda Bela Vista, no município de Curionópolis.
A estratégia deu certo, provocou a paralisação de veículos na rodovia, mas o objetivo principal que era forçar a Polícia Militar a cumprir decisões da Justiça e retirar das fazendas invasores sem-terra parece ter fracassado. Por força de um acordo firmado entre autoridades do governo estadual, dirigentes do MST, Fetagri e Comissão Pastoral da Terra (CPT), as desocupações estão suspensas até que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) encontre áreas devolutas onde possa alojar três mil famílias que deverão ser despejadas de 62 fazendas quando a decisão da Justiça for cumprida.
O MST mobilizou dois mil trabalhadores rurais em Paraupebas, Curionópolis, Eldorado dos Carajás e Canaã dos Carajás, também realizando manifestação Ontem, cinco pontes que dão acesso as fazendas localizadas entre Eldorado de Carajás e Parauapebas, na PA-275, foram destruídas. Outras quatro foram queimadas para impedir a entrada dos policiais militares se o acordo for quebrado.
A radicalização dos dois lados mexeu com os prefeitos da região, a maioria também fazendeiros. Com medo da repetição do massacre de Eldorado dos Carajás, no qual 19 sem-terra foram mortos pela PM, eles encaminharam um pedido de socorro ao governo paraense e às autoridades de Brasília.

mockup