Fazendeiros exigem despejos no Oeste
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quinta-feira, 13 de março de 2003
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel Um grupo de fazendeiros da região de Cascavel está preocupado com a possibilidade de aumento da tensão no campo no País. Eles temem que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) retome as invasões, em vez de esperar pelo anúncio do novo Plano de Reforma Agrária por parte do Governo Federal, previsto para ocorrer em julho. Para discutir esse assunto, o grupo esteve reunido na sede da Sociedade Rural do Oeste.
Ao contrário de fazendeiros da região de Pitanga, os de Cascavel não pensam em montar milícias armadas para combater possíveis invasões. A principal reivindicação é quanto ao cumprimento de mandados de reintegração de posse expedidos pela Justiça. Algumas propriedades da região foram invadidas mesmo sendo consideradas produtivas.
Um dos mais revoltados é o proprietário das fazendas Refopas e 4R, Ricardo Festugatto, que anunciou que estará cobrando do Governo do Paraná uma indenização pelos prejuízos causados na invasão, ocorrida há mais de quatro anos. ''A falta de firmeza do governo em cumprir decisão judicial e promover a reintegração de posse das duas fazendas, vai custar caro a todos os paranaenses'', ameaçou. As terras foram consideradas produtivas pelo Incra e a Justiça determinou a reintegração de posse.
Segundo Festugatto, ''enquanto o ex-governador Jaime Lerner (PFL) e o atual, Roberto Requião (PMDB) hesitam em cumprir a ordem judicial, os sem-terra dilapidam o patrimônio''. Ele revela que mais de 300 alqueires de reserva florestal foram desmatados pelos invasores. ''Este prejuízo, somado a quatro safras que deixaram de ser colhidas, superam os R$ 6 milhões, cuja indenização cobraremos do Governo do Paraná e, por extensão, do povo paranaense'', disse o fazendeiro.
O executor regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Valdecir Filipetto, que também esteve na reunião, anunciou que nos próximos dias o superintendente do órgão, Celso Lacerda estará na região. ''O presidente Lula assumiu como compromisso a reforma agrária, mas isto vai ser feito dentro da legalidade. A reforma acontecerá de forma planejada, sem permitir invasões na ilegalidade'', afirmou.
O presidente da Sociedade Rural, Valdir Lazarini, observou que o governador Roberto Requião assumiu um compromisso com os produtores de fazer cumprir a decisão da Justiça. ''Preferimos continuar acreditando que isto venha a acontecer, já nos próximos dias'', afirmou.


