Fazendeiros e MST protestam em Manoel Ribas
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terça-feira, 27 de maio de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As manifestações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e de proprietários de terras, ontem à tarde, em Manoel Ribas (146 quilômetros ao sul de Apucarana), foram tranquilas. Os grupos se encontraram perto da Fazenda Três Marias, ocupada por cerca de 350 famílias do MST desde o dia 12, mas não houve confronto. Os proprietários de terras, liderados pelo Sindicado Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro), prometem continuar com as manifestações. Eles pretendem cercar a fazenda hoje e só deixar o local depois que área seja desocupada.
A manifestação do MST reuniu cerca de 2 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, em frente ao fórum da cidade, que protestaram contra fazendeiros e proprietários de terras que estariam fazendo ameaças às famílias acampadas na fazenda. Eles também criticaram o grupo conhecido como Primeiro Comando Rural (PCR). Depois os manifestantes rumaram para a fazenda, onde havia um grupo de fazendeiros ligados ao Sinapro.
De acordo com o presidente do Sinapro, Narciso Rocha Clara, cerca de 300 fazendeiros participaram do protesto. ''Fizemos uma preparação. Amanhã (hoje) vamos reunir cerca de 900 pessoas para rumarmos definitivamente à fazenda'', prometeu. Segundo ele, a intenção é realizar manifestações pacíficas. ''Queremos apenas que as ordens judiciais sejam cumpridas''. Rocha Clara disse que a ação faz parte do programa ''Tolerância Zero'', que será utilizado em todo o país.
A juíza de Manoel Ribas, Adriana Ossipi, concedeu duas liminares de reintegração de posse, mas nenhuma foi cumprida. O governo estadual pretende realizar estudos antes de autorizar o uso de força policial.
Os proprietários de terras permaneceram à beira da estrada que liga a fazenda ao centro de Manoel Ribas, mas não houve confronto com o MST. ''Assim como na manifestação no centro, as pessoas do MST estavam com foices e facões. Quando encontraram os fazendeiros gritaram palavras de baixo calão e protestaram, mas não houve confronto'', relatou o capitão Eroni Roberto Antunes, comandante da operação, do 10º Batalhão, em Apucarana. Cerca de 30 policiais participaram da operação.
De acordo com o secretário de Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, a tensão no campo está aumentando. O governo estadual havia agendado uma reunião para hoje com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, mas o encontro foi cancelado.
Padre Roque será convidado a ajudar na visita técnica que a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vão realizar na unidade da Monsanto em Ponta Grossa. A vistoria foi determinada pelo Ministério Público Estadual, que recebeu denúncias de que haveria sementes transgênicas para multiplicação, o que é proibido. Uma equipe liderada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) também fará uma visita técnica na unidade, invadida por cerca de 150 famílias do MST desde o dia 16.


