Fazendeiros e lavradores atacam discurso de FHC
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Agência Folha 
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Roosevelt Roque dos Santos, e o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pontal do Paranapanema (SP), José Rainha Jr., criticaram ontem o discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso por isentar a União de responsabilidade pelos conflitos de terra no País.
No programa de rádio Palavra do Presidente que foi ao ar anteontem, FHC culpou os governos estaduais por permitir a invasão de fazendas por sem-terra e defendeu a prisão de quem causa violência no campo.
Os dirigentes da UDR e do MST defendem a intervenção do Estado para evitar o conflito, mas por razões diferentes. Santos acha que há omissão por se permitir invasão. Rainha vê descaso das autoridades ao deixar impunes quem utiliza armas e eventualmente mata a serviço de fazendeiros. Ele não pode culpar só o Estado. A União também vem se omitindo. Se invadir terra é crime, quando fez 116 assentamentos ouvindo o MST o governo federal andou a reboque do crime, disse Santos. O presidente da União Democrática Ruralista no Pontal disse que, se os órgãos públicos cumprirem com seus deveres constitucionais, a paz volta a reinar no campo. Para ele, o Estado e a União vêm se omitindo ao não cumprir seu dever constitucional.
Rainha afirmou que o discurso de Fernando Henrique Cardoso é vazio. Ele não tem o que dizer. Uma hora ataca o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, outra hora critica os próprios aliados. O presidente deveria ter mais compromisso com sua história, acelerar o processo de assentamentos e punir os criminosos que matam os trabalhadores. Na opinião de José Rainha Jr., cuidar da violência é responsabilidade do governo estadual, que tem uma polícia parcial, mas o grande responsável por essa situação é o governo federal, que não faz reforma agrária.


