Fazendeiros do MS unem forças contra invasões de terra
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terça-feira, 20 de maio de 1997
Agência Estado 
CAMPO GRANDE - Pelo menos 200 grandes fazendeiros do Mato Grosso do Sul resolveram juntar forças para enfrentar as invasões dos sem-terra. Eles se reuniram durante a noite de anteontem no Sindicato Rural de Campo Grande, de onde saíram convictos de que além do pedido de reintegração de posse, podem acusar os invasores por invasão de propriedade particular, formação de quadrilha, tentativa de homicídio, furtos e roubos.
Essas alegações já estão sendo levantadas pela Sociedade de Melhoramentos e Colonização (Someco), segundo o diretor da empresa, Sérgio da Silva Pereira.
O secretário de Segurança Pública do Mato Grosso do Sul, Joaquim Felipe de Souza, participou do encontro e afirmou acreditar que a disputa pela terra ficará pior a cada dia.
Ele lembrou que há cinco anos disse que o MST chegara para ficar e se fortalecer. Mais da metade da população brasileira apóia a reforma agrária, e pelo menos 40% é a favor das invasões, disse.
Os sem-terra invadiram um ministério em Brasília e o senhor presidente do Brasil pediu reintegração de posse, quando simplesmente deveria mandá-los sair, declarou.
Souza disse que chegará uma hora em que o Estado não poderá socorrer os fazendeiros, como vem fazendo atualmente. Tivemos 35 invasões solucionadas pacificamente neste ano, mas não sei até quando isso pode acontecer.
Além das medidas judiciais, os fazendeiros contam com a Associação de Proteção à Propriedade que tomou a iniciativa de montar uma guarita na única estrada que dá acesso a uma fazenda no município de Rio Brilhante, a 270 quilômetros da capital, onde quem quer passar precisa se identificar e justificar sua presença no local.
Na opinião dos fazendeiros, esse tipo de solução é boa. Eles rejeitam a contratação de segurança armada, temendo conflitos com os invasores.


