Fazendeiros denunciam descaso nas desocupações de terra
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de agosto de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Fazendeiros com propriedades invadidas no Paraná denunciam o governo do Estado por descaso com ordens judiciais de reintegração de terra. Três deles foram ouvidos ontem pela Comissão Especial de Investigação (CEI) que investiga a situação de propriedades agrícolas do Oeste do Estado. Um dos depoimentos mais forte foi do casal Nilton Antonio Boito e Maria Lourdes Locks Boito, da Fazenda Boito, em Matelândia. Eles acusaram políticos de participação nas invasões de terra e das manobras para que as ordens judiciais não fossem respeitadas.
A fazenda do casal foi invadida no dia 2 de agosto de 2004. Eles relataram que perderam tudo o que tinham na propriedade: sete casas, cavalos, cabritos, ovelhas e 1.458 cabeças de gado. ''Não sei o que vou fazer. Tudo ficou difícil. Estou desesperado, devendo para todo mundo. O que tinha lá, levaram. Meus funcionários foram jogados na rua. Não tem mais lavoura. O gado foi todo retirado'', denunciou Boito.
A mulher dele, Maria Lourdes, disse que viu o gado sendo retirado da fazenda e chegou a avisar a polícia. Entretanto, ninguém teria feito nada. ''Para mim, tem gente da polícia envolvida com as invasões e a venda de gado no interior'', disse ela. Maria Lourdes teria falado pessoalmente com o governador, que teria se comprometido a dar um retorno. ''Faz um ano e nada de retorno das ligações'', afirmou.
O casal contou que chegou a ceder caminhões para retirada dos sem-terra. Entretanto, crianças e adolescentes teriam feito um cordão de isolamento na fazenda, impedindo a ação policial. ''É coisa de outro mundo'', disse Boito.
A propriedade tinha 50 alqueires de fazenda. Ao todo são 350 alqueires, sendo que 175 deles estão em litígio. Boito teria comprado a terra antes da venda ao Incra, depositando em juízo o valor que restava a ser pago ao proprietário das terras.
Os deputados da CEI aprovaram ontem uma proposta de convidar o secretário Luiz Fernando Delazari para participar de audiência pública na CEI para falar sobre o tema.
A assessoria da Sesp informou que o governo tem plano de desocupação das fazendas Kelli e Boito, mas está buscando uma saída pacífica dos sem-terra. No caso da propriedade de Cascavel, há sinalização do Incra na desapropriação da fazenda.


