Fazendeiros confirmam ação de coronel em milícia
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quarta-feira, 13 de abril de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Três proprietários de fazendas e a secretária do Sindicato Rural de Ponta Grossa prestaram depoimento, ontem, na Polícia Federal (PF), em Curitiba. Segundo informações da PF, eles confirmaram que o tenente-coronel Valdir Copetti Neves que também é dono de terras na região teria intermediado a contratação de policiais militares da reserva para o trabalho de segurança das fazendas. Ele foi preso, no dia 5 deste mês, junto de outras sete pessoas na Operação Março Branco, sob acusação de formação de quadrilha, tráfico internacional de armas e violação de direitos humanos.
Contrariando os primeiros esclarecimentos dados à PF, o presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Marcos Degraf, segundo a polícia, teria admitido ontem que os ruralistas usavam a sede da entidade para reuniões e que a secretária recebia os valores recolhidos entre os fazendeiros e repassava a Neves. Cada fazendeiro contribuiria com uma cota mensal para o trabalho de segurança, cujo valor variava de acordo com o tamanho da propriedade. Degraf não atendeu celular nem retornou o recado da reportagem.
A PF deve pedir à Justiça Federal de Ponta Grossa a quebra de sigilo bancário de Neves e de José Valdomiro Maciel (um dos PMs da reserva presos) para apurar os valores pagos.
O advogado dos fazendeiros Manoel Ribas Neto e Maria Helena Coimbra Ribas (que também prestaram depoimento ontem), Emerson Ernandes Woyceichosky, afirmou que com a desativação da ''Patrulha Rural'' feita pela Polícia Militar (PM), ''a única coisa que eles queriam era a segurança de suas propriedades'' e concordaram com o trabalho de ''ronda''. Ele disse não saber se era Neves quem teria intermediado a contratação.
O advogado de Neves, Cláudio Dalledone Júnior, ficou irritado com a divulgação do andamento do inquérito e disse que irá responsabilizar a PF pela quebra de sigilo, já que o processo tramita em segredo de Justiça. ''O delegado que pare de publicizar os atos das investigações e proceda de forma séria e atrelada à lei'', criticou.


