Buenos Aires (AE-IPS) - O turismo está sendo a forma de os fazendeiros na Argentina driblarem a pior crise que o setor agropecuário já viveu. Segundo uma dona de agência de viagens, em Buenos Aires, que tem na carteira de ofertas dez fazendas para turistas conhecerem, "os fazendeiros não conhecem o mercado mas estão aprendendo na prática e contentes com a demanda por ecoturismo".
Alguns produtores rurais estão ganhando até US$ 250 por turista que passe uma noite na sede da fazenda. Carlos Liciardi, dono de uma fazenda de 250 hectares na província de Buenos Aires
disse que trocou a pecuária pelo turismo, um negócio que ele considera mais rentável.
Ele dividiu sua propriedade em duas: 38 hectares dedica ao turismo rural e o restante arrenda a um produtor de leite. "Ele olha com inveja a minha vida tranquila e o tilintar das moedas no caixa", brinca Liciardi.
As fazendas argentinas, sobretudo no centro do país, chamado pampa úmido, representaram o pólo de maior desenvolvimento econômico entre o final do século 19 e a primeira metade do século 20. Desde então o negócio vive altos e baixos. Com a queda dos preços internacionais dos produtos básicos e falta de apoio estatal, muitas fazendas quebraram e o campo perdeu valor.
O fazendeiro Joaquín Fasel, dono da Moinho Velho, disse que sempre se dedicou à atividade agroindustrial. "Eu me desfiz de terras e fiquei com 20 hectares, nos quais investi no negócio turístico", disse ele.
Há três anos o governo, por meio do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária, concede créditos e capacitação para quem quer mudar de ramo no campo. Até agora, 500 produtores entraram no negócio.
Dados da Secretaria de Turismo informam que a oferta aumenta 15% a cada ano.
A atual atividade dos peões rurais, herdeiros da cultura dos antigos "gaúchos", hoje é entreter turistas assando carne, domando cavalos e até vendendo artesanato. As fazendas argentinas que podem ser visitadas por turistas estão se espalhando por todo o país. Hoje podem ser encontradas em Buenos Aires, Córdoba, Entre Ríos, Rio Negro, Chubut, Santa Cruz e Terra do Fogo.